O senador Iván Cepeda, candidato da esquerda à Presidência da Colômbia, reconheceu formalmente a derrota nesta quarta-feira, 24 de junho, para Abelardo de la Espriella, de orientação de direita. O anúncio encerrou uma das eleições mais acirradas da história colombiana, decidida por menos de um ponto percentual no segundo turno realizado no domingo anterior.
A apuração preliminar oficial deu a De la Espriella 12.959.542 votos, ante 12.708.712 de Cepeda, um placar de 49,66% a 48,70% e uma vantagem de cerca de 250 mil votos. O Registrador Nacional informou que a diferença entre a contagem inicial e a contagem final foi de apenas 0,003% das cédulas, o que afastou qualquer expectativa de reversão. Em pronunciamento público, Cepeda afirmou: "Decidi aceitar o resultado que emerge desse processo e que indica que Abelardo de la Espriella é o novo presidente da República."
A cobertura de centro relatou os fatos com equilíbrio, destacando que Cepeda havia inicialmente adiado o reconhecimento e chegado a pedir a contestação de mais de 57 mil urnas, aguardando a verificação final do cartório eleitoral antes de admitir a derrota. Esse mesmo noticiário registrou o contexto institucional: o Pacto Histórico, partido governista, formará a maior minoria nas duas casas do Congresso, enquanto De la Espriella, sem bloco próprio robusto, deverá buscar uma coalizão com outras legendas de direita para governar.
Veículos de esquerda enfatizaram a dimensão histórica da campanha de Cepeda, descrito como o candidato de esquerda mais votado em um primeiro turno na história do país, e classificaram o resultado como o melhor já alcançado por setores progressistas e movimentos sociais na Colômbia. Esses veículos rotularam o vencedor como "extrema direita" e ressaltaram que Cepeda, embora reconhecendo a derrota como ato de responsabilidade democrática, declarou não renunciar à verdade diante de fatos que considera graves, entre eles o apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao candidato de direita e uma suposta campanha de compra de votos. A cobertura progressista também situou a vitória no contexto de um avanço global da direita.
Embora não haja veículos de direita no conjunto analisado, a leitura à direita dos mesmos fatos enfatizaria a alternância democrática de poder, a derrota do projeto governista ligado ao presidente Gustavo Petro e a legitimidade do pleito atestada por observadores externos. Sobre esse ponto há convergência: a missão de observação eleitoral da União Europeia, com 150 observadores, descartou irregularidades no segundo turno, e a ONG norte-americana Centro Carter respaldou a transparência da organização da eleição. Cepeda prometeu exercer uma oposição "democrática, vigilante e construtiva", mas também "resoluta e inabalável", e terá direito a uma cadeira no Congresso.
O que ainda não se sabe é como De la Espriella montará sua base de apoio parlamentar diante de uma oposição organizada, quais serão as prioridades concretas de seu governo e qual o desdobramento das denúncias de compra de votos levantadas por Cepeda, que afirmou não pretender silenciar sobre elas.