Janja chama Lula de ungido de Deus em comícios no Piauí e no Rio Grande do Sul
1 veículo de centro · 1 veículo de direita

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
2 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nenhum veículo de esquerda cobriu esta história.
Veículos com viés ao centro
Briefing
O que importa para você
- A disputa pelo voto evangélico entrou na fase de atos públicos, com hino gospel e discurso religioso no palanque presidencial.
- A primeira-dama pediu campanha porta a porta com vizinhos, familiares e colegas nos últimos dias antes da votação do primeiro turno.
- Foi anunciada mobilização em Brasília no dia 13 de setembro, com participação dela.
- O número de 33 milhões de pessoas fora do mapa da fome virou argumento central de campanha e deve reaparecer no debate.
Onde os lados divergem
- Veículos de direita tratam a fala como resposta oportunista à declaração de Michelle Bolsonaro sobre André Mendonça e como personalismo que mistura fé e poder.
- A cobertura de centro descreve o episódio como estratégia de campanha voltada a mulheres e evangélicos, sem enquadrá-lo como reação a outro político.
- À direita, as críticas à família Bolsonaro aparecem como ataque; no centro, como parte do discurso de palanque, ao lado de alegações de aliados marcadas como sem prova.
Onde os lados concordam
As duas coberturas registram os mesmos fatos: a primeira-dama Janja Lula da Silva chamou o presidente Lula de ungido de Deus em atos de campanha em Teresina e em Porto Alegre, associou a expressão a políticas do governo federal e falou diante de plateias mobilizadas na reta final do primeiro turno. Também há convergência de que o eleitorado evangélico é alvo declarado da campanha.
Em dois atos de campanha em setembro de 2026, a primeira-dama Janja Lula da Silva chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ungido de Deus, associou a imagem religiosa a políticas sociais do governo federal e criticou a família Bolsonaro. A declaração ocorreu dias depois de Michelle Bolsonaro usar expressão parecida para se referir ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
A primeira-dama Janja Lula da Silva chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de “ungido de Deus” em dois atos de campanha realizados em setembro de 2026. No dia 9, em Teresina, no Piauí, ela afirmou que o petista é o “verdadeiro ungido de Deus” e completou: “Esse, sim, é o homem que quer que todos tenham uma vida digna”. Dois dias depois, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, repetiu a fórmula ao dizer que “o homem que tira 33 milhões de pessoas do mapa da fome só pode ser tocado por Deus”.
Nos dois discursos, a primeira-dama associou a imagem religiosa a políticas do governo federal, citando combate à fome, saúde, educação, cultura e economia. Em Teresina, ela também atacou a família Bolsonaro, ao dizer que o grupo não tem projeto para o Nordeste e que, se dependesse do ex-presidente Jair Bolsonaro, “os nordestinos estavam comendo capim”. Em Porto Alegre, convocou a militância para o corpo a corpo com eleitores indecisos na reta final do primeiro turno, anunciou que participaria de uma mobilização em Brasília no dia 13 de setembro e discursou em um ato no qual foram tocados o hino gospel “Tapete Vermelho” e o jingle “Rap do Silva”.
Veículos de direita enfatizaram que a fala ocorreu poucos dias depois de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro chamar o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, de “escolhido e ungido do Senhor”, em 6 de setembro, e trataram a declaração da primeira-dama como resposta no mesmo terreno simbólico, ainda que ela não tenha citado nem Michelle nem Mendonça. Nessa cobertura, o peso recai sobre o personalismo de atribuir unção divina a um chefe de governo e sobre o tom das críticas à família Bolsonaro.
A cobertura de centro deu menos peso a esse paralelo e descreveu o episódio como parte de uma estratégia de campanha dirigida a mulheres e a evangélicos, público considerado decisivo na disputa. Esses textos registraram a convocação da militância, a agenda religiosa do ato e também marcaram, no mesmo evento, que um deputado aliado acusou adversários de financiamento irregular de campanhas sem apresentar provas no discurso. Entre as fontes reunidas nesta análise não houve cobertura de veículos de esquerda sobre o episódio, de modo que a leitura que enquadra o uso de linguagem religiosa como disputa legítima do campo da fé, ligada a políticas de proteção social, não aparece com voz própria.
Nenhuma das coberturas traz reação da família Bolsonaro ou de lideranças evangélicas às declarações, nem verificação independente do número de 33 milhões de pessoas retiradas do mapa da fome atribuído ao governo federal. Também não há resposta da campanha adversária às críticas feitas em Teresina, nem detalhamento sobre quantos atos com apelo religioso estão previstos para o restante do calendário de campanha.
Fontes
Primeira-dama chama presidente de “ungido” e atribuiu a ele o feito de tirar 33 milhões do mapa da fome. Leia no Poder360.

Fala ocorreu em Teresina, dias depois de Michelle Bolsonaro chamar André Mendonça de 'escolhido e ungido do Senhor'
