Flávio Bolsonaro tenta reduzir desvantagem entre mulheres na corrida de 2026
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
Briefing
O que importa para você
- Dois projetos em jogo: criação da Polícia Nacional de Unidades de Pronto Atendimento à Mulher no Sistema Único de Saúde e autorização para que policiais concedam medida protetiva de urgência de imediato.
- Nas duas simulações de segundo turno, Lula tem 47% contra 44% e 45% contra 40%, ambos dentro ou no limite da margem de erro de 2,5 pontos.
- Entre mulheres, a diferença chega a 50,4% contra 34,2%, e é hoje o principal fator de decisão da eleição de 2026.
Onde os lados divergem
- A cobertura de centro trata o gap de gênero como traço estrutural da disputa, ancorado em recortes por região, renda e religião e na rejeição de 43,4% ao senador.
- Veículos de direita enfatizam o empate técnico e localizam o problema no rompimento com Michelle Bolsonaro, ou seja, num fator conjuntural e interno ao Partido Liberal.
- Falta cobertura de esquerda no material reunido, e com ela a checagem entre as novas propostas e o histórico de votos do senador.
Onde os lados concordam
Toda a cobertura registra os mesmos fatos: metade dos quatro projetos de lei apresentados por Flávio Bolsonaro em 2026 trata de temas de mulheres, nenhum dos 15 protocolados em 2025 tinha esse foco, a mudança coincide com sua entrada na disputa presidencial e Lula lidera com folga entre eleitoras nas duas pesquisas citadas.
O senador Flávio Bolsonaro dedicou metade dos projetos de lei que apresentou em 2026 a temas ligados às mulheres, segmento em que aparece atrás de Lula nas pesquisas mais recentes de segundo turno. A mudança de agenda coincide com sua escolha como candidato do Partido Liberal à Presidência e com o rompimento público de Michelle Bolsonaro, que deixou o PL Mulher.
Metade dos projetos de lei apresentados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em 2026 trata de temas ligados às mulheres, uma inflexão na atuação parlamentar do pré-candidato do Partido Liberal à Presidência da República. Entre janeiro e julho, o senador protocolou quatro propostas. Duas são voltadas ao público feminino: uma cria a Polícia Nacional de Unidades de Pronto Atendimento à Mulher no âmbito do Sistema Único de Saúde, o SUS, e a outra altera a legislação para permitir que policiais concedam de imediato medidas protetivas de urgência a mulheres vítimas de violência doméstica. Em 2025, antes de ser escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para disputar o Palácio do Planalto, ele havia apresentado 15 projetos, nenhum deles dedicado a pautas femininas.
A mudança ocorre num momento de desvantagem persistente entre as eleitoras. Levantamento do BTG/Nexus, feito depois da divulgação do vídeo em que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro critica o enteado, mostrou Lula com 47% das intenções de voto num eventual segundo turno, contra 44% do senador, empate técnico dentro da margem de erro. No recorte do eleitorado feminino, a diferença se amplia: 55% a 36%. Pesquisa do instituto Meio/Ideia divulgada em 8 de julho apontou quadro semelhante, com Lula em 45% e Flávio Bolsonaro em 40% no segundo turno. Entre mulheres, o presidente marca 50,4% e o senador, 34,2%. Entre homens, a relação se inverte, com 46,3% para Flávio Bolsonaro e 39,2% para Lula.
A cobertura de centro deu peso ao conjunto do levantamento. Ela registrou que o instituto ouviu 1.500 eleitores por telefone entre 3 e 6 de julho, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e registro no Tribunal Superior Eleitoral, e que Lula também lidera o primeiro turno, com 40,4% contra 32% do senador. Nessa leitura, a rejeição é o dado incômodo para os dois lados: 46,4% dizem que não votariam em Lula de jeito nenhum e 43,4% descartam Flávio Bolsonaro, percentual que subiu desde maio. A CEO do instituto Ideia, Cila Schulman, afirmou que o voto feminino é hoje o principal diferencial do presidente. O fundador do instituto, Maurício Moura, destacou que Michelle Bolsonaro aparece perto do enteado em intenção de voto e com rejeição bem menor, de 28%. O mesmo levantamento mostra o senador forte entre evangélicos, com 61,1%, e na Região Sul, com 54,1%.
Veículos de direita enfatizaram a resposta parlamentar e a crise interna do Partido Liberal. Nessa cobertura, a nova agenda legislativa aparece como movimento de um pré-candidato que precisa ampliar aceitação entre mulheres, preocupação que antecede o episódio familiar. O obstáculo mais citado é o rompimento de Michelle Bolsonaro, que renunciou à presidência do PL Mulher, ameaçou desistir da disputa ao Senado e acusou o enteado de machismo, retirando da pré-campanha uma das principais lideranças femininas do partido. Aliados, segundo essa cobertura, temem o impacto do conflito sobre os votos e sobre o eleitorado evangélico.
Fontes
Pesquisa Meio/Ideia aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno de 2026. Veja os números, cenários, rejei...


