A Justiça Federal da Flórida, nos Estados Unidos, autorizou a Advocacia-Geral da União, a AGU, a participar da ação que a plataforma de vídeos Rumble e o grupo Trump Media, ligado ao presidente americano Donald Trump, movem contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Em decisão desta terça-feira, 23 de junho de 2026, a juíza Mary Scriven reconheceu o Brasil como real interessado na causa e suspendeu o andamento do processo até decidir sobre um pedido de extinção apresentado pela própria AGU. As empresas terão até 7 de julho para contestar esse pedido.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma direta: a AGU, órgão responsável por representar juridicamente a União, acionou um escritório nos Estados Unidos para pedir a intervenção do Estado brasileiro no caso. O argumento central é de que decisões da mais alta corte do Brasil não podem ser questionadas por tribunais estrangeiros. A Justiça americana aceitou a representação do Brasil, mas deixou para um segundo momento a análise do pedido de extinção da ação.
Há pontos em que toda a cobertura converge. O Rumble e a Trump Media acusam Moraes de censura por ter determinado a remoção de perfis e publicações nas redes sociais. A AGU, por sua vez, sustenta que o ministro atuou exclusivamente no exercício de suas funções e que, por isso, a ação deve ser tratada como um processo contra o próprio Estado brasileiro. O Rumble está fora do ar no Brasil desde fevereiro de 2025, por não ter indicado um representante legal no país.
É no enquadramento que os lados se separam. Veículos de direita enfatizaram que as empresas acusam o ministro de censurar especificamente o discurso de pessoas alinhadas à direita, citando o caso do influenciador Allan dos Santos, e destacaram que a AGU pede a extinção do processo sem que o mérito das acusações de censura seja analisado. Já um enquadramento de esquerda tende a tratar a defesa de Moraes como defesa da soberania nacional e da independência do Judiciário, vendo a ação das plataformas ligadas a Trump como uma tentativa de pressionar instituições brasileiras a partir do exterior. A AGU reforça esse ângulo ao afirmar que a ação extrapola a figura do ministro e atinge a soberania do país.
O argumento jurídico mobilizado pela AGU se apoia na chamada imunidade de autoridade estrangeira, instituto reconhecido pela jurisprudência americana para proteger agentes públicos que atuam oficialmente em nome de seus países. Segundo a defesa, isso significa que a Justiça dos Estados Unidos não tem jurisdição sobre os atos de um magistrado brasileiro praticados no exercício do cargo.
O que ainda não se sabe é como a juíza Mary Scriven vai decidir sobre o pedido de extinção, nem quais argumentos o Rumble e a Trump Media apresentarão até o prazo de 7 de julho. Também permanece em aberto o efeito prático da disputa sobre a presença das plataformas no Brasil e sobre futuras decisões envolvendo conteúdo nas redes sociais.