A Justiça Federal dos Estados Unidos negou, por enquanto, o pedido da Rumble e da Trump Media para que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, fosse declarado em revelia na ação que as empresas movem contra ele na Flórida. A decisão foi assinada nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, pela juíza Mary Scriven, da Corte Distrital do Distrito Médio da Flórida. No mesmo despacho, a magistrada autorizou a entrada formal do governo brasileiro no processo, representado pela Advocacia-Geral da União, e adiou a análise do pedido da AGU para extinguir a ação.
A Rumble e a Trump Media, grupo de comunicação ligado ao presidente americano Donald Trump, pediam a revelia sob o argumento de que Moraes havia sido notificado por um meio autorizado pela Justiça americana e deixou passar o prazo sem responder. A juíza entendeu que, antes de examinar a eventual revelia, era preciso decidir questões preliminares levantadas pelo Brasil, entre elas o pedido de extinção. Por isso, rejeitou o pedido de revelia sem prejuízo, o que significa que ele poderá ser reapresentado mais adiante. As duas empresas têm agora um prazo de 14 dias para responder ao pedido de extinção formulado pela AGU.
A cobertura de centro relatou a decisão em termos processuais e neutros, citando literalmente a juíza e detalhando os argumentos de cada lado com paridade. Os veículos de centro registraram tanto a acusação das empresas, de que as ordens de Moraes configurariam censura ilegal, quanto a tese da AGU, de que as decisões do ministro são atos jurisdicionais soberanos do Estado brasileiro e não podem ser revistas por um tribunal estrangeiro. Um dos veículos reproduziu na íntegra a nota oficial da AGU, com o número do caso, e recuperou o histórico da suspensão do Rumble no Brasil, em 2025, por descumprimento de decisões judiciais.
Veículos de esquerda enfatizaram a dimensão de soberania nacional: para essa cobertura, a admissão da AGU e o reconhecimento do Brasil como real interessado na ação representam uma derrota das big techs e da tentativa de interferência estrangeira no Judiciário brasileiro. Nesse enquadramento, as decisões de Moraes são lidas como combate legítimo à desinformação e à disseminação de ataques às instituições democráticas, e a ação é vista como parte de uma ofensiva alinhada a Trump e a setores bolsonaristas contra a Justiça do país.
Veículos de direita enfatizaram o mérito da disputa, ainda não julgado. Sob essa ótica, o ponto central é que um ministro do STF teria estendido o alcance de suas decisões para fora do Brasil, atingindo plataformas e a liberdade de expressão de usuários alinhados à direita, como o influenciador Allan dos Santos. A ação sustenta que as ordens de remoção de contas violariam a Primeira Emenda da Constituição americana e pede que essas decisões não tenham efeito legal em território norte-americano. Nesse recorte, a entrada da AGU é interpretada como manobra para que Moraes não precise responder individualmente perante a corte americana, e a decisão da juíza é vista como mero adiamento, não como vitória de mérito.
O que ainda não se sabe é como a Corte da Flórida decidirá o pedido de extinção da ação, que só será analisado depois da resposta das empresas dentro do prazo de 14 dias. Também permanece em aberto se, caso a ação não seja extinta, a juíza voltará a examinar o pedido de revelia contra Moraes e qual será o efeito prático de eventuais decisões da Justiça americana sobre determinações de um ministro do STF.