As disputas estaduais para as eleições de 2026 começam a render seus primeiros capítulos sob a fiscalização da Justiça Eleitoral, com três episódios que ilustram como tribunais e institutos de pesquisa moldam o cenário pré-eleitoral em diferentes pontos do país. Os casos envolvem o Amazonas, Roraima e o Piauí, e cada um aciona um aspecto distinto do controle sobre o pleito: a punição de uma pesquisa irregular, a indefinição jurídica de uma candidatura e a divulgação de um levantamento com metodologia registrada.
No Amazonas, a cobertura de centro relatou que o Tribunal Regional Eleitoral aplicou multa de R$ 50 mil à empresa O Primeiro Portal Pesquisa de Mercado, conhecida como OPP, por irregularidades na divulgação de uma pesquisa sobre a disputa ao governo e ao Senado. A decisão, da juíza relatora Mara Elisa Andrade, atendeu a uma representação do partido Avante e apontou falhas graves: ausência do relatório completo, falta de detalhamento sobre os locais pesquisados e divergência entre o plano amostral registrado e o questionário efetivamente aplicado. A magistrada entendeu que as inconsistências ultrapassam meros erros formais e comprometem a transparência do levantamento. A penalidade foi fixada com base na Lei das Eleições e em resolução do Tribunal Superior Eleitoral.
Em Roraima, a cobertura relatou um impasse jurídico de maior peso. O candidato Arthur Henrique, do Partido Liberal, venceu a eleição suplementar ao governo com 60,87% dos votos, à frente do atual chefe do Executivo, Soldado Sampaio, e da candidata do PT, Nelita Frank. O resultado, porém, não será proclamado até que o Tribunal Superior Eleitoral ou o Supremo Tribunal Federal decidam sobre sua candidatura, que está sub judice. O ministro Flávio Dino derrubou uma norma do tribunal regional que havia flexibilizado o prazo de desincompatibilização, sustentando que o prazo legal não pode ser reduzido. A eleição suplementar foi convocada depois que o Tribunal Superior Eleitoral cassou o ex-governador Antonio Denarium e o vice por abuso de poder econômico e político no pleito de 2022.
Já no Piauí, a divulgação seguiu o rito comum de uma pesquisa registrada. O levantamento da AtlasIntel em parceria com a TV Meio Norte aponta o governador Rafael Fonteles, do PT, na liderança da disputa de primeiro turno, com 63,5% das intenções de voto, seguido por Joel Rodrigues, do PP, com 22,9%. O estudo entrevistou 1.197 pessoas entre 16 e 21 de junho, tem margem de erro de três pontos percentuais e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral.
Na diferença de ênfase entre os lados, veículos de esquerda tendem a valorizar a atuação da Justiça Eleitoral como proteção do eleitor contra pesquisas opacas e contra o abuso de poder, lendo a cassação em Roraima e a multa no Amazonas como defesa da igualdade da disputa. Veículos de direita, por sua vez, enfatizam a insegurança jurídica do caso de Roraima, em que o candidato mais votado fica dependente de uma decisão do Judiciário, e levantam o debate sobre a judicialização das eleições e a proporcionalidade das punições a institutos.
O que ainda não se sabe é como o Tribunal Superior Eleitoral ou o Supremo decidirão sobre a candidatura de Arthur Henrique em Roraima, nem se a OPP recorrerá da multa aplicada no Amazonas. Também permanece em aberto como esses cenários estaduais evoluirão à medida que a campanha de 2026 avança e novas pesquisas e decisões judiciais forem divulgadas.