A corrida pelo governo de São Paulo em 2026 ganhou novos contornos depois que dois pré-candidatos deixaram a disputa. O deputado Kim Kataguiri, do Missão, e o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra, do PSDB, anunciaram que não concorrerão ao Palácio dos Bandeirantes e tentarão vagas na Câmara. Juntos, os dois somavam cerca de 10% das intenções de voto na pesquisa Genial/Quaest. Com a saída deles, a eleição estadual ficou mais polarizada entre o governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, que tenta a reeleição e lidera as sondagens, e o ex-ministro Fernando Haddad, do PT. Na última pesquisa Quaest, de abril, Tarcísio aparecia com 38% e Haddad com 26%.
Nesse novo quadro, o líder do PSB na Câmara, deputado Jonas Donizette, passou a defender que o ex-governador Márcio França lance candidatura própria ao governo paulista. Para Donizette, a presença de França fortalece o palanque do partido, ajuda a eleger mais deputados pela votação da legenda e pode impedir que a eleição se decida já no primeiro turno. França segue como pré-candidato ao Senado, mas não descarta concorrer ao governo nem ocupar a vaga de vice na chapa de Haddad. A expectativa é de que o presidente Lula medie o impasse em reunião com Haddad e França.
A cobertura de centro, como a do Poder360, do portal Tela e da Agência O Globo, relatou os fatos de forma equilibrada: registrou a defesa de Donizette, o favoritismo de Tarcísio, o chamado 'fator Lula' e a reação do PT, que recebeu a movimentação com incômodo. O vice-presidente nacional do partido, deputado Jilmar Tatto, classificou a possibilidade de candidatura de França como um 'cavalo de pau'. Esses veículos lembraram ainda que as convenções partidárias só ocorrerão a partir de 20 de julho, depois da Copa do Mundo, quando a viabilidade da candidatura será medida com pesquisas.
Veículos de direita, como a InfoMoney, enfatizaram a vantagem estrutural do governador. Destacaram que, sem uma terceira via para dispersar votos, Tarcísio fica mais perto de vencer no primeiro turno, repetindo o desempenho do segundo turno de 2022, quando derrotou Haddad por 55,27% a 44,73%. Essa cobertura ressaltou a coligação ampla do governador, que reúne PL, MDB, PSD, PP-União e PRD-Solidariedade, além da máquina pública e das entregas de gestão. Sublinhou também a crise do PSDB, que pela primeira vez em décadas não terá candidato ao governo de seu reduto histórico e tende a apoiar Tarcísio por identidade política, descartando o PT como adversário histórico.
Do ponto de vista mais próximo da esquerda, a mesma cobertura registrou que São Paulo é estratégico para a reeleição de Lula, estado onde o PT cresceu 4,3 milhões de votos em 2022. A candidatura própria de França é lida nesse campo como reforço do palanque progressista e caminho para forçar um segundo turno mais competitivo para Haddad. Os relatos apontam, porém, que a demora do PT em fechar a chapa, sobretudo a vaga de senador disputada entre Marina Silva e Márcio França, atrasa a pré-campanha e gera queixas entre aliados. A estratégia petista inclui desgastar Tarcísio na segurança pública, apontada pela Quaest como a principal preocupação dos paulistas, e ampliar o diálogo com o interior, o agronegócio e o empresariado.
O que ainda não se sabe é o desfecho da negociação. Não está definido se França será de fato candidato ao governo, ao Senado ou vice na chapa de Haddad, nem qual será a orientação final de Lula após a reunião. Também permanece em aberto se o PSDB oficializará o apoio a Tarcísio, decisão que cabe ao senador Aécio Neves e à executiva da federação com o Cidadania. As convenções, marcadas para depois de 20 de julho, devem encerrar essas dúvidas.