O deputado federal Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro e vice-líder do governo no Congresso, lançou nesta terça-feira, 23 de junho de 2026, uma campanha nas redes sociais para pressionar o Senado a votar a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1, na qual o trabalhador atua seis dias e folga apenas um. Em vídeo publicado em suas redes, Lindbergh acusou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, de travar a tramitação da proposta. "Hoje é dia de pressão total para destravar o fim da escala 6x1", escreveu o parlamentar, afirmando que o bolsonarismo e Alcolumbre agiriam para adiar a votação até depois das eleições.
O ponto factual em que todas as coberturas convergem é o estágio da proposta. A PEC já foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas permanece parada no Senado, sob análise de Alcolumbre, que ainda não a encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça. Como não há reuniões previstas da comissão para esta semana, a tendência é que a matéria siga sem avanço. No próximo sábado, 27 de junho, a proposta completa um mês desde a aprovação pela Câmara. A baixa movimentação no Congresso é atribuída às festividades de São João, ao regime de trabalho semipresencial e até ao jogo entre Brasil e Escócia pela Copa do Mundo.
A cobertura de centro, como a do portal Metrópoles, relatou o episódio de forma sóbria, atribuindo expressamente as acusações a Lindbergh e identificando cada ator por cargo e partido, sem encampar o enquadramento do deputado. O texto registra que o parlamentar citou também o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, do PL, como contrário à medida, e que pediu à população que pressione deputados e senadores.
É na interpretação que as coberturas se separam. Veículos de esquerda, como o Brasil 247, abraçaram o vocabulário do parlamentar e descreveram a paralisação como uma manobra de setores empresariais e do bolsonarismo para sufocar uma conquista dos trabalhadores. Nessa leitura, o fim da escala 6x1 é direito social a ser garantido, e a resistência empresarial repete um roteiro histórico de prever quebra da economia sempre que se ampliam direitos. Já uma leitura de direita, presente no debate público em torno do tema, tende a enfatizar que veículos de direita destacariam o peso econômico de uma mudança constitucional sobre contratos de trabalho, o respeito ao devido processo legislativo na cautela de Alcolumbre e os alertas de empregadores sobre custos, competitividade e risco de desemprego. Para esse campo, o rótulo de "conspiração" substitui o debate técnico por retórica de mobilização.
O que ainda não se sabe é como Alcolumbre e a liderança do União Brasil respondem às acusações, já que a cobertura disponível não traz a versão deles. Também permanece em aberto se a PEC será efetivamente pautada na CCJ, qual seria o calendário de votação e qual o dimensionamento concreto dos impactos econômicos apontados pelos setores contrários à proposta.