Lindbergh Farias pede ao STF que investigue Flávio Bolsonaro no caso Postal Off
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Resumo da cobertura
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Briefing
O que importa para você
- O pedido atinge um candidato à Presidência em plena campanha.
- O STF decide se sorteia novo relator ou mantém Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral.
- A petição pede perícia nos áudios e oitiva de citados como Eduardo Scheurer e Carlos Favoreto.
Onde os lados concordam
- A Operação Postal Off apurou fraude de ao menos R$ 94 milhões nos Correios.
- Flávio Bolsonaro nunca foi formalmente investigado; em 2021 a Procuradoria-Geral da República não viu base e Kassio Nunes Marques devolveu o caso.
- Lindbergh Farias pede reabertura, preservação de provas e sorteio de novo relator.
O que ainda está incerto
- Flávio Bolsonaro não respondeu às acusações.
- Não se sabe quando o STF vai analisar o pedido nem quem será o relator.
- A Polícia Federal não explicou por que os áudios ficaram mais de um ano fora dos autos.
O deputado Lindbergh Farias acionou o Supremo Tribunal Federal para que investigue o senador Flávio Bolsonaro, citado em áudios da Operação Postal Off, que apurou fraude de ao menos R$ 94 milhões nos Correios. O pedido inclui troca de relator e preservação de provas; o caso havia sido devolvido em 2021.
O deputado federal Lindbergh Farias, do PT do Rio de Janeiro, pediu ao Supremo Tribunal Federal que investigue o senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro e candidato à Presidência, por suposta ligação com um esquema de fraude nos Correios. As citações ao senador surgiram na Operação Postal Off, da Polícia Federal, que apurou um prejuízo de ao menos 94 milhões de reais à estatal.
Segundo a investigação, o esquema funcionava pelo subfaturamento de correspondências. A empresa aceitava grandes volumes para envio, mas cobrava só parte deles, e a diferença ficava com intermediários. A petição reúne três referências a um senador entre dezembro de 2018 e abril de 2019. Na primeira, o empresário Eduardo Scheurer, conhecido como Duda, teria dito ter acesso ao senador para tratar de cargos nos Correios. Na segunda, áudios de fevereiro de 2019 relatam que o empresário Carlos Favoreto levaria a Brasília uma proposta de pagamento mensal de um milhão de reais em troca da indicação do presidente da estatal. Na terceira, uma interceptação telefônica de abril de 2019 registra o então diretor dos Correios em São Paulo, Marco Venicio da Costa, identificando pelo sobrenome Bolsonaro quem havia pedido uma indicação.
As duas coberturas convergem sobre o percurso do caso. Em abril de 2021, a juíza Claudia Maria Dadico, da Justiça Federal em Florianópolis, considerou as menções potencialmente relevantes e enviou o inquérito ao Supremo. O relator, ministro Kassio Nunes Marques, ouviu a Procuradoria-Geral da República, então chefiada por Augusto Aras, que não viu motivo para investigar. Em dezembro de 2021, o processo voltou à primeira instância. Lindbergh argumenta que não houve arquivamento, porque o senador nunca foi formalmente investigado, e pede que o caso seja sorteado para outro ministro. Ele também pede preservação urgente de provas, perícia nos áudios, oitiva dos citados e explicações da Polícia Federal sobre a demora em anexar as gravações.
As ênfases divergem. Veículos de esquerda destacaram que Aras e Nunes Marques foram indicados por Jair Bolsonaro e trataram o desfecho de 2021 como engavetamento, reproduzindo em detalhe o áudio que fala em propina de um barão por mês. Também ressaltaram o argumento da petição de que um inquérito aberto em 2025 sobre nomeações em hospitais federais do Rio de Janeiro mostraria o mesmo padrão de conduta. A cobertura de centro relatou a petição de forma descritiva, atribuiu cada alegação ao documento e sublinhou que ele não apresenta como comprovada a participação de Flávio Bolsonaro. Nenhum veículo de direita havia coberto o caso até o momento; a leitura provável desse campo destacaria que o pedido parte de um adversário político em plena campanha e que a Procuradoria já havia descartado a investigação.
Ainda não se sabe se o Supremo vai sortear um novo relator ou manter o caso com Nunes Marques, que preside o Tribunal Superior Eleitoral. A defesa de Flávio Bolsonaro não se manifestou. Também não há resposta da Polícia Federal sobre por que os áudios ficaram mais de um ano fora dos autos.
Fontes

Indícios contra o senador apareceram na Operação Postal Off, da Polícia Federal, e foram revelados por CartaCapital em agosto

Deputado questiona relatoria de Kassio Nunes Marques no caso; esquema causou prejuízo de R$ 94 milhões à estatal. Leia no Poder360.