O lucro dos bancos brasileiros atingiu a marca histórica de R$ 255 bilhões em 2025, um novo recorde, segundo dados do Banco Central. O resultado chamou atenção por ter ocorrido em um ano marcado pelos juros mais altos em quase duas décadas: a taxa Selic, fixada pelo Banco Central para conter a inflação, chegou a 15% ao ano, um dos patamares reais mais elevados do mundo. A queda da taxa só começou em 2026.
A cobertura de centro relatou o número de forma factual e explicou o mecanismo por trás dele. A Selic serve de base para os empréstimos bancários, e linhas de crédito como o cartão de crédito rotativo e o cheque especial chegaram a cobrar, respectivamente, mais de 400% e mais de 100% ao ano. O setor bancário brasileiro também é descrito como altamente concentrado, com os quatro maiores bancos detendo quase 60% do mercado de crédito. Procurado, o Banco Central afirmou que o crescimento do lucro em 2025 foi 'mais moderado' e que a rentabilidade 'permaneceu relativamente estável', explicando que o aumento das despesas com provisões compensou parcialmente o resultado de juros, cujo crescimento desacelerou diante da menor expansão do crédito.
Veículos de direita e a leitura de mercado enfatizaram justamente essa avaliação oficial: o lucro elevado seria consequência direta do ciclo de juros altos e do tamanho do sistema financeiro, não de um comportamento anômalo do setor. Nessa interpretação, a rentabilidade acompanhou a expansão do ativo total do sistema e tende a se normalizar com o recuo da Selic em 2026. Já a leitura associada a veículos de esquerda destacou o contraste social: enquanto famílias e pequenos negócios enfrentavam o crédito mais caro em quase 20 anos, as instituições financeiras bateram recorde de ganhos. Sob esse ângulo, os juros do rotativo acima de 400% ao ano e a concentração de quase 60% do crédito em quatro bancos alimentam o debate por mais regulação e proteção ao consumidor frente ao poder econômico do setor.
O que ainda não se sabe é o detalhamento da composição desse lucro por instituição, o peso exato das provisões e das diferentes linhas de crédito, e em que medida a queda da Selic ao longo de 2026 vai efetivamente reduzir o spread cobrado dos consumidores. As matérias também não trazem a manifestação direta dos bancos, apenas a nota da autoridade monetária.