O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira, 26 de junho de 2026, que não se pode 'permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo' nem a 'ideia da hegemonia branca sobre o restante do país'. A declaração foi feita durante visita às obras de embarcações de apoio offshore contratadas pela Petrobras no estaleiro Detroit Brasil, em Itajaí, no litoral catarinense. Ao tratar do tema, o presidente citou o ditador nazista Adolf Hitler.
No trecho mais repercutido, Lula disse: 'Está chegando o momento de a onça beber água. Vocês não podem permitir que prevaleça em Santa Catarina o racismo. Não podem permitir que aqui as pessoas sejam tomadas pela síndrome de grandeza, porque esse Estado é muito rico'. Em seguida, afirmou que 'todo mundo tem que ser tratado igual' e que não há motivo para considerar um branco melhor que um negro, ou um nordestino pior que um sulista. 'Hitler tentou fazer isso e acabou do jeito que acabou', completou.
A cobertura de centro, representada pelo Poder360, relatou os fatos de forma factual, com a transcrição completa do discurso e a atribuição clara das falas. Esse registro inclui um trecho em que Lula reformula a própria crítica, dizendo que 'na verdade isso não é hegemonia branca, é hegemonia da ignorância, que a gente tem que ter coragem de debater'. A cobertura de centro também situou o episódio no contexto da disputa entre o governo federal e o governo estadual e da corrida presidencial de 2026.
O pano de fundo político é direto. As declarações foram dadas enquanto Lula criticava o governador catarinense Jorginho Mello, do PL, por não comparecer a eventos do governo federal e por não fechar parcerias com a União, o que o presidente atribuiu a divergências políticas. Lula chamou a ausência de 'falta de respeito' e ainda ironizou o gestor, perguntando 'qual o tamanho da cabeça desse cidadão' e 'a qualidade da massa encefálica que ele tem'. Mello é aliado do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência e principal adversário de Lula nas eleições de 2026.
Veículos de esquerda tenderam a enquadrar a fala como um compromisso de Estado contra a discriminação, destacando a defesa de tratamento igual entre brasileiros de diferentes cores e regiões e a promessa de que o investimento federal chegará ao Estado independentemente do resultado eleitoral. Nesse enquadramento, a menção a Hitler funciona como alerta histórico sobre os riscos de ideologias de superioridade racial.
Veículos de direita, por sua vez, enfatizaram o tom de confronto. O Blog do BG, de perfil mais crítico ao governo, titulou a fala como dirigida a um 'estado de predominância direitista' e reforçou o enquadramento ao destacar comentário de leitor exaltando Santa Catarina como o Estado com melhor qualidade de vida do país e onde 'o PT jamais governou'. Para essa cobertura, associar todo um Estado ao racismo e invocar Hitler configura uma generalização ofensiva contra eleitores que rejeitaram o petista nas urnas, agravada pelos ataques pessoais ao governador.
O que ainda não se sabe, a partir do material disponível, é o teor completo das respostas dos atacados. As reportagens registram, em links relacionados, que Flávio Bolsonaro criticou Lula pela fala sobre racismo e que o governador Jorginho Mello chamou o presidente de 'cara de pau' e disse que ele mente, mas o conteúdo dessas reações não foi detalhado no corpo das matérias. Também não há, nas fontes, dados que quantifiquem investimentos federais pendentes em Santa Catarina ou o impacto eleitoral concreto do episódio.