O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convidou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para 'tomar um café' ao fim de uma cerimônia no Palácio do Planalto, na quarta-feira, 29 de julho de 2026. Os microfones da transmissão oficial captaram o convite, feito enquanto as autoridades se despediam e se preparavam para a foto do evento. O ministro respondeu positivamente, com um aceno. A cena, de poucos segundos, foi divulgada nas redes sociais e dominou o noticiário político.
A cobertura de centro relatou o episódio de forma factual. O convite ocorreu durante a solenidade em que Lula sancionou o chamado 'Pix Pensão', que institui o desconto automático da pensão alimentícia e passa a incluir trabalhadores informais, autônomos e microempreendedores, e a lei que obriga a divulgação do Ligue 180 em espaços públicos e privados. O presidente também assinou decretos do programa Mulher Segura e regras sobre monitoramento eletrônico de agressores. Moraes participou como presidente em exercício do STF e discursou sobre decisões da Corte voltadas à proteção das mulheres.
Todos os lados registram o pano de fundo diplomático. Dias antes, na convenção do PL que lançou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência, o presidente argentino Javier Milei chamou Moraes de 'lixo careca' e atacou Lula. O Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília e chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas. Some-se a isso a tensão com os Estados Unidos, que aplicaram novas tarifas sobre produtos brasileiros, que somadas podem chegar a 37,5%, citando decisões do Judiciário brasileiro como um dos motivos.
Veículos de direita enfatizaram o gesto como sinal de proximidade e alinhamento entre o presidente e o ministro que conduz os inquéritos contra Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar. Parlamentares da oposição repercutiram o vídeo com frases como 'tá tudo em casa' e 'eles nem escondem mais o alinhamento', leitura reproduzida por parte dessa cobertura, que também ligou o café à expectativa de novas sanções americanas a Moraes.
Veículos de esquerda tenderiam a ler o café como demonstração de cordialidade institucional entre os Poderes e como resposta serena às ofensas vindas do exterior, enquadrando a aproximação como defesa da soberania nacional e da independência do Judiciário diante de pressões estrangeiras, no marco de uma agenda de ampliação de direitos das mulheres.
O que ainda não se sabe é o teor da conversa entre os dois: nem o Planalto nem o STF detalharam onde ou quando o café aconteceria. Também seguem em aberto se Moraes voltará a ser alvo de sanções dos Estados Unidos e se o governo argentino apresentará algum pedido de desculpas pelas falas de Milei.