O presidente Lula oficializou, em 25 de junho, a escolha da senadora Teresa Leitão (PT-PE) para a liderança do governo no Senado Federal. Ela substitui Jaques Wagner (PT-BA), que deixou o cargo após acordo com o presidente. A nova líder assume com a missão de coordenar pautas prioritárias do Palácio do Planalto na reta final do mandato e em meio à aproximação do calendário eleitoral de 2026.
Entre as prioridades que passam às mãos da nova líder estão a proposta de redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6x1, a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei dos minerais críticos. A cobertura de centro relatou que essas pautas estão paradas na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e que o Planalto avalia que ele aguarda um encontro presencial com Lula para destravá-las. A relação entre os dois não foi apaziguada desde a rejeição da indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal. Segundo relatos de interlocutores, Teresa Leitão terá uma reunião de alinhamento com Lula em 29 de junho antes de buscar um canal direto de negociação com Alcolumbre. O governo deseja aprovar ao menos o fim da escala 6x1 até o início do recesso parlamentar, em 18 de julho.
Veículos de esquerda destacaram a trajetória de Teresa Leitão. Professora e dirigente sindical, primeira mulher eleita senadora por Pernambuco, ela construiu a carreira política na defesa da educação pública e dos direitos dos trabalhadores, e já ocupava a liderança do PT na Casa desde abril. Nesse enquadramento, a escolha é uma aposta em uma liderança de perfil de diálogo e dedicação integral à articulação parlamentar, sem a pressão de disputa majoritária em 2026, e a transição com Jaques Wagner é apresentada como planejada e amistosa, uma conversa entre amigos que preserva a experiência do aliado.
A cobertura de centro deu peso ao contexto da saída de Wagner. O senador confirmou que deixaria a liderança após reunião com Lula, na esteira das repercussões de uma operação da Polícia Federal relacionada ao caso do Banco Master, que o mirou na semana anterior. Em nota, Wagner afirmou que a decisão foi tomada em comum acordo e que sua prioridade agora é provar a inocência e se dedicar à reeleição de Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além de sua própria recondução ao Senado.
Um enquadramento de direita tende a enfatizar a coincidência entre a operação da PF e a troca de comando, questionando se a saída foi de fato amistosa ou consequência da investigação, e a leitura da resistência de Alcolumbre como sinal de desgaste do governo no Congresso. Wagner nega qualquer irregularidade e recorreu ao Supremo Tribunal Federal para contestar as medidas adotadas na investigação.
O que ainda não se sabe é se Teresa Leitão conseguirá destravar a relação com Alcolumbre a tempo de aprovar o fim da escala 6x1 antes do recesso, qual o desfecho da investigação que mirou Jaques Wagner e como a nova articulação se sustentará à medida que a disputa eleitoral de 2026 se intensifica.