O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou, na quinta-feira (25), a senadora Teresa Leitão (PT-PE) como nova líder do governo no Senado Federal. Ela assume o posto no lugar de Jaques Wagner (PT-BA), que deixou a liderança após operação da Polícia Federal ligada ao caso Banco Master mirar endereços a ele associados. A mudança ocorre num momento sensível para a agenda do Palácio do Planalto no Congresso, com pautas estratégicas travadas e o calendário eleitoral de 2026 cada vez mais próximo.
Veículos de esquerda destacaram o perfil da nova líder: primeira mulher eleita senadora por Pernambuco, professora e dirigente sindical de origem, com trajetória construída em defesa da educação pública e dos direitos dos trabalhadores. Antes do mandato no Senado, iniciado em 2023, exerceu cinco mandatos consecutivos como deputada estadual em Pernambuco, e desde abril já liderava a bancada do PT na Casa. Nessa leitura, a escolha é vista como aposta em uma liderança de diálogo, com dedicação integral à articulação parlamentar e sem a pressão de uma disputa majoritária em 2026.
A cobertura de centro relatou os fatos com foco no encadeamento institucional. Segundo a CNN Brasil, Teresa Leitão terá uma reunião de alinhamento com Lula na segunda-feira (29) e, só depois, buscará canal direto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). As prioridades do governo, como as PECs do fim da escala 6x1 e da Segurança Pública, além do projeto de lei dos minerais críticos, estão paradas na mesa de Alcolumbre. Fontes do Planalto avaliam que o presidente do Senado espera um encontro presencial com Lula para destravar os temas, já que a relação não foi apaziguada desde a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O governo deseja aprovar ao menos o fim da escala 6x1 até o recesso parlamentar, que começa em 18 de julho.
As ênfases de cobertura divergem no peso atribuído à saída de Jaques Wagner. A narrativa governista, mais presente em veículos de esquerda, trata a transição como decisão tomada em comum acordo, descrita pelo próprio senador como uma conversa entre amigos, com Wagner seguindo como referência estratégica do campo governista e voltado à própria defesa e à reeleição de Lula e do governador Jerônimo Rodrigues na Bahia. Já o ângulo enfatizado por veículos de direita ressalta que a troca acontece poucos dias depois de a Polícia Federal mirar o senador na investigação do caso Banco Master, contra a qual Wagner recorreu ao STF, lendo o movimento como defensivo e como sinal das dificuldades de articulação do Planalto.
O que ainda não se sabe é se a reunião entre Lula e Alcolumbre, tida como decisiva para destravar as pautas, será de fato marcada a tempo do recesso, e qual será o desdobramento da investigação da PF sobre Jaques Wagner. Também permanece em aberto se Teresa Leitão conseguirá aprovar o fim da escala 6x1 dentro do cronograma apertado desejado pelo governo.