O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um gesto com o dedo do meio durante uma cerimônia oficial no Palácio do Planalto, em Brasília, na sexta-feira, 3 de julho de 2026. O gesto ocorreu enquanto o presidente discursava sobre o acesso da população de baixa renda a serviços públicos de saúde de qualidade. Ao criticar a ideia de que 'pobre não gosta de coisa boa', Lula levantou o dedo do meio e disse 'aqui para eles', completando: 'Nós gostamos de coisa boa, queremos tudo de primeira'.
O episódio se deu durante o evento 'Entregas Simultâneas do Governo Federal para Moradia, Saúde e Educação', que anunciou R$ 464,8 milhões em investimentos na área da saúde, incluindo ambulâncias, unidades odontológicas móveis e equipamentos para o Sistema Único de Saúde. Também foram entregues dez campi da Rede Federal de Educação, com investimento de R$ 206,6 milhões, e moradias do programa Minha Casa, Minha Vida. As ações foram lançadas simultaneamente em 12 cidades de sete estados, com a participação de ministros. A cerimônia foi a última agenda de entregas do governo antes do início das restrições previstas pela legislação eleitoral, que passaram a valer no dia 4, a três meses do primeiro turno das eleições.
A cobertura de centro relatou o episódio de forma factual, transcrevendo a fala completa e contextualizando que o gesto foi feito ao defender o programa Brasil Sorridente, que leva próteses odontológicas feitas por escaneamento digital e impressão em 3D à população mais pobre. Esses veículos registraram ainda que Lula criticou a dedução de gastos com planos de saúde no Imposto de Renda, argumentando que parte desse custo recai indiretamente sobre o sistema público, e apresentaram tanto a reação de críticos quanto a de aliados.
Veículos que enfatizaram o ângulo social e de saúde pública destacaram que a fala foi uma defesa do direito da população vulnerável a atendimento de qualidade. Nessa leitura, mais alinhada à esquerda, o gesto sintetizava uma crítica à desigualdade no acesso a direitos básicos: o presidente afirmou que uma das situações que mais o incomodam é encontrar jovens de 20 e 30 anos sem dentes, relacionando o problema à pobreza, e defendeu a ampliação do SUS e do programa Agora Tem Especialistas, voltado a reduzir filas de atendimento.
Já veículos de direita enfatizaram a falta de decoro do chefe do Executivo ao fazer um gesto classificado como obsceno em ato institucional transmitido ao vivo. Essa cobertura destacou o uso da máquina pública em clima de campanha, apontando que o evento serviu para promover aliados nos municípios beneficiados no último dia antes do defeso eleitoral, e ressaltou a linguagem chula do presidente ao tratar do tema. Esses veículos lembraram ainda que, na véspera, Lula havia classificado as regras do defeso eleitoral como 'papagaiada desgraçada'.
O que ainda não se sabe é qual será a repercussão institucional do episódio e se haverá acionamento no Tribunal Superior Eleitoral, uma vez que o ato ocorreu na fronteira entre a agenda de governo e o calendário eleitoral. Também permanece em aberto o efeito do gesto sobre a imagem do presidente às vésperas da oficialização de sua candidatura à reeleição, prevista para 2 de agosto.