O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, abriu a campanha do segundo turno com críticas duras ao Supremo Tribunal Federal e a promessa de enfrentar diretamente o adversário, Flávio Bolsonaro, do PL. As declarações foram dadas na primeira reunião com aliados depois que Lula terminou o primeiro turno em segundo lugar. Até o momento, apenas um veículo cobriu o encontro, e o relato a seguir se baseia nele.
Segundo esse relato, Lula afirmou que sua candidatura está pagando pelo desgaste da Corte, defendeu mudanças no Judiciário e disse que ministros do Supremo não estão acima da lei. A crítica foi descrita como uma das mais duras feitas por ele ao tribunal durante o atual mandato. O presidente disse que a campanha carrega nas costas a promiscuidade que teria sido revelada pelas denúncias envolvendo a Corte, e que é grave a situação em que o Supremo passa a ser visto com desconfiança pela sociedade.
A avaliação entre integrantes do PT, de acordo com o texto, é que a crise envolvendo o Banco Master atingiu politicamente Lula, mesmo sem que o presidente apareça nas investigações. A proximidade mantida com ministros ao longo do mandato teria facilitado, na leitura de aliados, a associação entre o governo e o desgaste do tribunal.
Na disputa de discurso, Lula tentou colar em Flávio Bolsonaro a imagem do establishment. "Ele é a cara do sistema", afirmou sobre o adversário. Para o presidente, o campo petista falhou ao não conseguir mostrar essa diferença com clareza no primeiro turno.
Lula também confirmou que pretende participar de debates na televisão, depois de ficar fora dos encontros da primeira fase. "Agora é importante ter debate na televisão, porque agora é tete a tete", disse. Outra frente será a abstenção: ele chamou atenção para os cerca de 30 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas e reconheceu que o universo de eleitores ainda disponíveis para mudar de lado é menor do que em disputas anteriores.
Como a cobertura disponível vem de um único veículo, não há como comparar enquadramentos de esquerda, centro e direita sobre o episódio. O texto disponível adota a perspectiva da campanha petista, sem registrar a reação do Supremo Tribunal Federal nem da campanha de Flávio Bolsonaro. Veículos de outros campos ainda não haviam relatado a reunião até aqui.
O que ainda não se sabe: quais mudanças no Judiciário Lula pretende propor, quais denúncias ele considera como prova da promiscuidade que citou, como o Supremo e a campanha adversária vão responder e se haverá debates marcados antes do segundo turno.