O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na sexta-feira, 26 de junho de 2026, da cerimônia de lançamento ao mar e batismo da fragata "Cunha Moreira", em Itajaí, Santa Catarina. A embarcação é a terceira do Programa Fragatas Classe Tamandaré e foi construída integralmente no Brasil, no estaleiro da TKMS, pelo consórcio Águas Azuis, formado pela Thyssenkrupp Marine Systems, pela Embraer Defesa e Segurança e pela Atech.
Na cerimônia, Lula afirmou que o fortalecimento da indústria de defesa será uma das prioridades de seu governo e defendeu investimentos permanentes no setor. "É o começo de um país que vai ser soberano e tomar conta do seu nariz", declarou. O presidente disse ainda que o Brasil não pretende entrar em conflito com outros países, mas precisa estar preparado para proteger seus interesses, colocando a defesa ao lado de educação, saúde, transição energética e inteligência artificial entre suas prioridades.
Os números do programa são consensuais entre as diferentes coberturas. O Programa Fragatas Classe Tamandaré prevê R$ 13,9 bilhões em investimentos entre 2019 e 2030, dos quais R$ 10,5 bilhões integram o Novo PAC. A expectativa do governo é gerar cerca de 23 mil empregos ao longo da execução, entre diretos, indiretos e induzidos. O comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, lembrou que 97% do volume das mercadorias importadas e exportadas pelo Brasil circulam por vias marítimas, o que corresponde a cerca de 80% do valor do comércio exterior brasileiro, argumento usado para justificar a importância estratégica das embarcações.
A cobertura de centro, como a do canal Record News, registrou o fato de forma direta: a participação de Lula no evento e a informação de que a fragata é construída no país, sem maior aprofundamento. Já veículos de esquerda enfatizaram o eixo da soberania nacional e da reindustrialização. Para essa leitura, o Novo PAC funciona como motor de desenvolvimento industrial e de geração de empregos de qualidade, com a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, destacando a necessidade de conteúdo nacional nos investimentos em infraestrutura. O Estado aparece como indutor do desenvolvimento tecnológico e protetor dos interesses do país.
A leitura de direita tende a deslocar o foco para o custo e as prioridades do gasto público. O ângulo encontra eco na própria fala do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, presente no evento: "É difícil para o presidente da República tirar R$ 3 bilhões para uma fragata dessa, quando precisa de dinheiro para alimento, casa, educação, saúde. Mas a defesa pertence à soberania brasileira." A partir dessa tensão, a cobertura mais à direita questiona a eficiência da alocação de recursos, ainda que reconheça como legítima a função do Estado de manter capacidade militar e proteger o comércio exterior, e valorize a participação da iniciativa privada, como a Embraer, na cadeia de defesa.
O que ainda não se sabe é o detalhamento do cronograma das próximas entregas do programa, eventuais impactos no orçamento de 2027 e se haverá novas encomendas além das fragatas já contratadas. Também não foram apresentadas, nas matérias, avaliações independentes sobre o custo-benefício do investimento frente a outras demandas do país.