Lula grava vídeo pedindo votos para Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT em Goiás
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece em vídeo divulgado em 28 de setembro pela campanha de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores e candidato a deputado federal por Goiás, pedindo votos para ele. Delúbio foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no Mensalão e teve a condenação da Lava Jato anulada pelo Superior Tribunal de Justiça em 2023.
O presidente da República usou seu capital eleitoral para pedir votos a Delúbio Soares, condenado pelo Supremo Tribunal Federal no Mensalão por corrupção ativa e condenado também na Lava Jato, cuja sentença caiu por questão de foro e não por absolvição no mérito. Nessa leitura, o gesto reabilita figuras centrais de escândalos de corrupção do Partido dos Trabalhadores.
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Todas as matérias confirmam que Lula gravou vídeo pedindo votos para Delúbio Soares, que Delúbio foi condenado no Mensalão e na Lava Jato, e que a condenação da Lava Jato não está mais de pé.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gravou vídeo de apoio a Delúbio Soares, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, que disputa vaga de deputado federal por Goiás. Delúbio foi condenado no Mensalão, teve a pena perdoada em 2016 e viu a condenação da Lava Jato ser anulada em 2023.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece em um vídeo divulgado na segunda-feira, 28 de setembro, pela campanha de Delúbio Soares, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores e candidato a deputado federal por Goiás. Na gravação, Lula pede que quem vai votar nele para presidente vote também em Delúbio, a quem descreve como vítima da maior perseguição já feita na história. "Ele merece a oportunidade de recuperar sua cidadania e a sua dignidade", afirma o presidente.
Os relatos convergem sobre o histórico do candidato. Delúbio é um dos fundadores do partido e da Central Única dos Trabalhadores. No julgamento do Mensalão, o Supremo Tribunal Federal o condenou por corrupção ativa e formação de quadrilha, pelo esquema de compra de apoio político no Congresso revelado em 2005. A condenação por formação de quadrilha foi depois anulada, e em 2016 o então ministro Luís Roberto Barroso concedeu perdão da pena. Mais tarde, ele foi condenado por lavagem de dinheiro na Operação Lava Jato. Em 2023, o Superior Tribunal de Justiça anulou essa condenação, por entender que o caso deveria tramitar na Justiça Eleitoral. Somadas, as prisões chegaram a cerca de dois anos e três meses. Delúbio concorre com o número 1390 a uma das 17 vagas de Goiás na Câmara dos Deputados.
A cobertura de centro concentrou o volume e o detalhe. Um dos relatos reconstruiu o percurso processual decisão por decisão e lembrou que Lula já apoiou outro condenado no Mensalão, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, candidato a deputado por São Paulo, cuja eleição o presidente chamou de reparação histórica. Outro relato de centro trouxe os números da disputa em Goiás, com 264 candidatos a deputado federal registrados.
O único veículo alinhado à direita que tratou do caso manteve tom descritivo. Destacou as condenações já no título, mas atribuiu a tese de perseguição à avaliação do próprio Lula e registrou que Delúbio agradeceu o apoio e disse que pretende atuar ao lado do presidente se for eleito. Até o momento, nenhum veículo de esquerda publicou matéria sobre o vídeo, o que deixa sem registro na cobertura a leitura de reparação defendida pelo presidente.
As matérias divergem mais na ênfase do que nos fatos. A que traz mais contexto explica que a anulação na Lava Jato se deu por incompetência de foro, e não por absolvição, com o processo remetido para recomeçar na Justiça Eleitoral. Outra resume o episódio dizendo apenas que as provas foram anuladas.
Ainda não se sabe em que fase está o processo remetido à Justiça Eleitoral, nem se adversários ou a Justiça Eleitoral vão questionar o uso da imagem do presidente na campanha do ex-tesoureiro.
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