Lula pode 'jogar parado' com prolongamento da crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro, diz cientista político
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou a presidência nacional do PL Mulher em 30 de junho de 2026, poucos dias após expor publicamente uma crise com o enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. O estopim foi a disputa por alianças eleitorais no Ceará, onde o PL articula apoio a Ciro Gomes (PSDB) ao governo e prefere o nome de Alcides Fernandes ao Senado, em vez da vereadora Priscila Costa, defendida por Michelle. Flávio pediu desculpas, mas o distanciamento persiste enquanto ele tenta ampliar apoio no eleitorado feminino.
A saída de Michelle Bolsonaro do PL Mulher escancara a divisão interna do principal partido da direita brasileira em ano eleitoral e expõe o tratamento dado às mulheres dentro do bolsonarismo. A crise, deflagrada por uma disputa de poder no Ceará, veio acompanhada de ataques digitais coordenados de vozes como Paulo Figueiredo, que afirmou que 'mulheres votam mal'.
Uma divergência interna sobre alianças eleitorais no Ceará provocou um atrito público entre Michelle e Flávio Bolsonaro, que o pré-candidato buscou apaziguar pedindo desculpas e pregando união. Veículos de direita destacam que Flávio repudiou publicamente falas ofensivas de aliados, reafirmou respeito à madrasta e segue estruturando uma agenda voltada ao eleitorado feminino, o 'Brasil Por Elas'.
8 fontes políticas
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Todos os lados reconhecem que a crise entre Michelle e Flávio é real, começou na disputa por alianças no Ceará e culminou na saída de Michelle do PL Mulher, num momento sensível da pré-campanha presidencial de 2026.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou a presidência nacional do PL Mulher no dia 30 de junho de 2026, poucos dias após tornar pública uma crise com o enteado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Em nota, Michelle afirmou que decidiu se dedicar integralmente aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e à filha do casal. O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, respondeu extinguindo o cargo de presidente nacional do PL Mulher e descentralizando a estrutura para os diretórios estaduais.
A cobertura de centro relatou que a origem do atrito está na disputa por alianças eleitorais no Ceará. O PL articula apoio ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) na corrida ao governo estadual e prefere lançar o deputado estadual Alcides Fernandes ao Senado, enquanto Michelle defendia a vereadora de Fortaleza Priscila Costa para a vaga e recusava qualquer aliança com Ciro, que fez críticas reiteradas à família Bolsonaro. Michelle divulgou vídeos em que disse ter sido maltratada e humilhada pelo enteado; Flávio negou tê-la desrespeitado, pediu desculpas publicamente e passou a pregar união. Dias depois, Priscila Costa declarou apoio a Flávio e deve assumir a vice-presidência do movimento feminino do partido.
Os três campos de cobertura convergem em pontos centrais: a crise é real, começou por uma disputa de poder no Ceará, culminou na saída de Michelle do PL Mulher e ocorre num momento delicado da pré-campanha, com Flávio tentando ampliar apoio entre as mulheres. Todos registram também o episódio envolvendo o influenciador Paulo Figueiredo, hoje ligado a Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, que afirmou em vídeo que mulheres, sobretudo solteiras, votam mal. Flávio repudiou a fala e disse que Figueiredo não integra sua campanha.
As ênfases, porém, divergem. Veículos de esquerda destacaram o silêncio inicial de Flávio diante dos ataques machistas a Michelle e a aliadas, enquadrando o episódio como sintoma de uma cultura patriarcal na base bolsonarista, e lembraram que Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado, contexto que, para esse campo, fragiliza a candidatura do senador. Veículos de direita enfatizaram o esforço de Flávio para apaziguar a crise, o repúdio às falas ofensivas, a reafirmação de respeito à madrasta e a construção de uma agenda voltada ao eleitorado feminino, o plano 'Brasil Por Elas', coordenado pela ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Aliados como o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, minimizaram a desavença. A cobertura de centro, por sua vez, apresentou lado a lado as falas dos dois campos, as declarações de Valdemar e os números das pesquisas.
Os levantamentos apareceram em boa parte das reportagens. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada em 1º de julho mostrou Lula com 46,3% no primeiro turno contra 36,6% de Flávio, e num cenário hipotético com Michelle a distância seria maior. Já o levantamento BTG/Nexus apontou Lula com 42% e Flávio com 34% no primeiro turno, e 47% a 44% no segundo, com o senador interrompendo uma sequência de perdas após o desgaste do caso Banco Master. Analistas ouvidos avaliam que o prolongamento da crise familiar tende a beneficiar indiretamente o governo Lula, ao tirar de cena outros desgastes da oposição.
O que ainda não se sabe é o tamanho real do impacto eleitoral da crise. Os próprios institutos e especialistas reconhecem que as pesquisas mais recentes ainda não mediram o efeito da ruptura entre Michelle e Flávio. Também permanecem em aberto se Michelle disputará de fato o Senado pelo Distrito Federal, quem será a vice de Flávio e se haverá reaproximação entre madrasta e enteado até a campanha oficial.
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