Lula e Flávio Bolsonaro trocam ataques sobre machismo e dívidas na TV
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Entre 3 e 5 de setembro de 2026, o horário eleitoral gratuito de televisão concentrou a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro, do PL. A propaganda petista dedicou seu tempo ao eleitorado feminino, com participação da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, e exibiu episódios em que o ex-presidente Jair Bolsonaro fez declarações machistas e destratou deputadas e jornalistas. A do PL explorou o endividamento das famílias, a inflação de alimentos e um trecho de discurso de Lula sobre a profissão de gari. Ronaldo Caiado, do PSD, levou o caso do Banco Master e a crise no Supremo Tribunal Federal ao seu programa, e Augusto Cury, do Avante, estreou peça gravada na Rocinha. Em paralelo, a campanha de Lula discutia se levaria ao horário eleitoral o vídeo em que o presidente defende que se investigue todo mundo sem blindagem.
Para o enquadramento conservador, o horário eleitoral expôs o custo do governo no bolso do eleitor. O senador Flávio Bolsonaro abriu sua propaganda com o dado da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de que 82% das famílias estavam endividadas em julho, ligou o endividamento privado à dívida bruta de 82,51% do Produto Interno Bruto e prometeu ajuste de contas, corte de impostos e queda de juros como caminho para preços menores e mais emprego.
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Veículos com viés ao centro
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Todas as coberturas registram que o horário eleitoral de 3 a 5 de setembro foi dominado por ataques pessoais entre as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro, com o petista concentrado no eleitorado feminino e o senador na economia, e que a crise no Supremo Tribunal Federal e o caso do Banco Master entraram no debate eleitoral por meio das propagandas de Ronaldo Caiado e do discurso do candidato do PL.
O horário eleitoral gratuito virou o palco central da disputa presidencial de 2026. A campanha de Lula levou ao ar falas machistas de Jair Bolsonaro e políticas voltadas às mulheres; a de Flávio Bolsonaro citou o endividamento das famílias, prometeu cortar impostos e transformou as futuras indicações ao Supremo Tribunal Federal em argumento de voto.
O horário eleitoral gratuito de televisão virou o principal palco da disputa presidencial de 2026 nos programas exibidos entre 3 e 5 de setembro. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, candidato à reeleição. De outro, o senador Flávio Bolsonaro, do PL. Os dois blocos, exibidos em sequência, foram dominados por ataques mútuos: a campanha petista concentrou fogo em declarações machistas do ex-presidente Jair Bolsonaro e no vínculo do senador com esse histórico familiar, enquanto o candidato do PL explorou o endividamento das famílias e a alta dos alimentos para responsabilizar a política fiscal do governo.
No programa de 3 de setembro, Flávio Bolsonaro abriu a noite citando levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, segundo o qual 82% das famílias brasileiras estavam endividadas em julho, o maior percentual em doze meses. Comparou a dívida bruta do governo geral, de 82,51% do Produto Interno Bruto, com os 71,7% registrados no último ano do governo de Jair Bolsonaro, e prometeu ajustar as contas, cortar impostos e derrubar os juros. O programa do PT respondeu com seis minutos voltados ao eleitorado feminino, com participação da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, e com a exibição de episódios em que o ex-presidente destratou deputadas e jornalistas.
Dois dias depois, em 5 de setembro, a estrutura se repetiu. O candidato do PL levou ao ar uma gravação feita em supermercado, criticou a redução do conteúdo das embalagens e encerrou com um trecho de discurso de Lula em Belo Horizonte, em 29 de agosto, no qual o presidente afirma que recolher lixo é uma profissão que não dá orgulho. O PT sustentou que a fala foi deturpada e que Lula tratava da invisibilidade de determinados trabalhos. Ronaldo Caiado, do PSD, levou o caso do Banco Master e a crise no Supremo Tribunal Federal ao seu programa, tentando associar os dois líderes a escândalos, e Augusto Cury, do Avante, estreou peça gravada na Rocinha.
A cobertura de centro relatou o confronto com espaço equivalente para cada campanha, restituiu o contexto do discurso recortado e registrou ainda um movimento de bastidor: integrantes da campanha do presidente discutiam se levariam ao horário eleitoral o vídeo em que ele afirma que é fundamental investigar todo mundo, sem blindagem, e menciona as relações do banqueiro Daniel Vorcaro com pessoas poderosas. O temor relatado era o de que a manifestação colasse a imagem do presidente à do ministro Alexandre de Moraes, no centro das tensões recentes na Corte.
Veículos de direita enfatizaram outro flanco da mesma disputa. Em discurso na Avenida Paulista, em 7 de setembro, Flávio Bolsonaro afirmou que quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes e prometeu indicar cinco ministros ao Supremo Tribunal Federal, conta que inclui uma vaga aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, as aposentadorias compulsórias previstas para os próximos anos e a aposta em um impeachment de Moraes que não tem processo em tramitação. Nesse enquadramento, a eleição decide também o perfil da Corte, e o desgaste do ministro é tratado como ativo eleitoral capaz de alcançar eleitores de centro.
Veículos de esquerda não aparecem entre as fontes que cobriram este episódio. A leitura provável desse campo, a partir dos mesmos fatos, é a de que o histórico de declarações machistas não é anedota de campanha, e sim indicador de como um governo trataria as políticas de enfrentamento ao feminicídio, e a de que a promessa de cinco indicações ao Supremo pressiona a independência do tribunal que julga crimes contra a democracia.
O que ainda não se sabe é se o vídeo do presidente sobre a crise no Supremo chegou ao horário eleitoral, como o candidato do PL conciliaria corte de impostos com o ajuste de contas prometido, qual o efeito dessa troca de ataques nas intenções de voto e qual o alcance da investigação sobre o Banco Master citada pelas campanhas adversárias.
Pedro Doria reage ao programa eleitoral gratuito dos candidatos a presidente exibido nas TVs abertas em 8 de setembro de 2026. Confira as campanhas de Flávio Bolsonaro, Lula, Augusto Cury e Ronaldo Caiado.
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