Senado aprova marco dos minerais críticos com R$ 5 bilhões e vai à sanção
4 veículos de esquerda · 4 veículos de centro

Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
8 fontes políticas
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A aprovação é lida como afirmação de soberania sobre o subsolo brasileiro num momento em que a disputa por terras raras coloca Estados Unidos e China em rota de colisão. O conselho ligado à Presidência da República dá ao Estado brasileiro instrumento para barrar a venda de ativos estratégicos a capital estrangeiro, e os incentivos condicionados ao beneficiamento no país tentam impedir que o Brasil repita o papel de exportador de matéria-prima bruta. A ressalva vem do campo socioambiental: o texto avançou sem exigir relatório de impacto socioambiental prévio nem consulta livre, prévia e informada a povos indígenas e comunidades tradicionais.
O Senado aprovou em 2 de setembro de 2026, em votação simbólica, o projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. O texto foi mantido como veio da Câmara dos Deputados, com mudanças apenas de redação, e por isso segue direto para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
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Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
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Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Todos os lados registram que o Senado aprovou o texto sem mudança de mérito, que a proposta vai à sanção presidencial e que ela cria um fundo garantidor com até R$ 2 bilhões da União, R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2030 e 2034 e um conselho ligado à Presidência da República. Também há convergência de que o Fundo Garantidor da Atividade Mineral resolve um gargalo real de financiamento de projetos em estágio inicial.
O Senado aprovou o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos sem mudar o mérito do texto da Câmara. A lei prevê R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2030 e 2034, um fundo garantidor de até R$ 2 bilhões e um conselho ligado à Presidência com poder de homologar operações societárias. Esquerda, centro e direita divergem sobre o alcance desse controle estatal.
O Senado aprovou na quarta-feira, 2 de setembro de 2026, o projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, conhecido no Congresso como marco das terras raras. O texto, de autoria do deputado Zé Silva (Solidariedade-MG) e relatado pelo senador Eduardo Braga (MDB-AM), passou em votação simbólica, sem contagem nominal, e foi preservado exatamente como veio da Câmara dos Deputados: o relator acolheu apenas emendas de redação, justamente para evitar que a proposta voltasse aos deputados. Com isso, o projeto de lei 2.780/2024 segue direto para a sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O desenho aprovado combina dinheiro público e controle estatal. São R$ 5 bilhões em incentivos fiscais, na forma de crédito da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, distribuídos em parcelas iguais entre 2030 e 2034 para projetos de processamento e transformação mineral em território brasileiro. A eles se soma o Fundo Garantidor da Atividade Mineral, que poderá receber até R$ 2 bilhões da União para dar garantia a operações de crédito, um gargalo histórico de projetos que ainda não têm produção nem fluxo de caixa. Durante seis anos, as empresas de pesquisa, lavra, beneficiamento e transformação desses minerais deverão destinar 0,2% da receita operacional bruta ao fundo e outros 0,3% a pesquisa, desenvolvimento e inovação; passado esse prazo, o total de 0,5% pode ir integralmente para pesquisa. O texto ainda cria um cadastro nacional de projetos, o Certificado Mineral de Baixo Carbono, prazo máximo de dez anos para autorizações de pesquisa e prioridade para áreas de minerais críticos nos leilões da Agência Nacional de Mineração.
O ponto de maior atrito é institucional. A lei cria o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, vinculado à Presidência da República, com competência para homologar mudanças de controle societário, contratos de fornecimento, cessão de ativos da União e transferências de direito minerário. Toda a cobertura converge sobre esse desenho, sobre os valores envolvidos e sobre o fato de que a votação só foi destravada depois de um acordo político entre o Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, costurado em reunião no Palácio da Alvorada em 26 de agosto.
A divergência começa no significado do conselho. Veículos de esquerda destacaram a decisão como afirmação de soberania sobre o subsolo brasileiro, num momento em que o governo dos Estados Unidos avança sobre terras raras no país, com aporte do Departamento de Defesa na mineradora Serra Verde, em Goiás, e a China lidera a cadeia global desses minerais. Nessa leitura, o poder de veto a parcerias internacionais e a exigência de agregação de valor no Brasil impedem que o país volte a ser exportador de matéria-prima bruta, e a prevalência do texto do Executivo sobre as emendas do setor privado é vitória política do governo. Do mesmo campo veio a principal ressalva ambiental: o Greenpeace criticou a ausência de exigência de relatório de impacto socioambiental como condição prévia à habilitação de projetos e a falta de menção explícita à consulta livre, prévia e informada a povos indígenas e comunidades tradicionais.
Veículos de direita enfatizaram o outro lado da mesma cláusula. Para as mineradoras, o conselho recebeu poder de homologação sem que a lei diga segundo qual critério, em que prazo e dentro de que limite, o que transfere para uma regulamentação futura decisões capazes de travar fusões, aquisições, entrada de investidores e financiamentos. Emendas de Wilder Morais (PL-GO), que propunha prazo de 30 dias e aprovação tácita, de Luis Carlos Heinze (PP-RS), que retirava a expressão compromissos de agregação de valor, e de Izalci Lucas (PL-DF), sobre Imposto de Exportação, foram rejeitadas no mérito.
Proposta enviada pelo governo Lula segue para o plenário do Senado após votação simbólica e prevê mudanças na segurança pública

O presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, afirmou que o projeto de lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, aprovado pelo Senado, nesta quarta-feira (2), mantém a abertura para investimento produtivo no setor e alinha o país a mudanças regulatórias "que acontecem em todo o mundo". "[O projeto] reflete o cenário internacional e cria políticas novas, como o adensamento da cadeia produtiva, que é uma enorme novidade", afirmou Cesário,

Texto cria conselho com novos poderes sobre o setor mineral; mineradoras criticam “insegurança jurídica”, enquanto governo defende controles para agregar valor no país

A proposição deve ser votada pelo plenário do Senado nesta quarta-feira (2)

O texto, que prevê investimentos de até 7 bilhões de reais, segue para sanção do presidente Lula (PT)

Aprovado em Plenário com regime de urgência, votação ocorreu de forma simbólica.

Aprovação de texto pelo Senado para exploração de minerais críticos incluiu conselho com poder de veto a estrangeiros

Projeto prevê até R$ 7 bilhões em investimentos para pesquisa, processamento e transformação de minerais no Brasil

Nesta matéria: viés de direita.
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