Alcolumbre resiste a impeachment de Moraes e cita R$ 130 milhões do filme Dark Horse
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Para a cobertura à direita, o relatório da Polícia Federal expõe uma relação inadmissível entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, e a recusa de Davi Alcolumbre em pautar os pedidos de impeachment converte a Presidência do Senado em escudo do Supremo Tribunal Federal. A resposta do presidente da Casa, que citou os R$ 130 milhões pedidos para o filme Dark Horse, é lida como tentativa de mudar de assunto. O Senado, nessa leitura, tem competência constitucional para julgar ministros por crime de responsabilidade e está deixando de exercê-la.
Para a cobertura à esquerda, a ofensiva contra Alexandre de Moraes é um movimento político da oposição bolsonarista, e não uma reação espontânea a um relatório policial. Davi Alcolumbre devolveu a acusação ao lembrar que a mesma fonte de dinheiro procurada pelos críticos do ministro foi Daniel Vorcaro, a quem Flávio Bolsonaro pediu recursos para o filme Dark Horse.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu em 2 de setembro de 2026 à pressão da oposição para que dê andamento aos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
7 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
Nesta matéria: falácia identificada.
Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés à direita
Nesta matéria: viés de centro.
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Todos os lados registram que o relatório da Polícia Federal sobre o celular de Daniel Vorcaro veio a público em 1º de setembro de 2026, que Davi Alcolumbre reagiu à pressão citando os R$ 130 milhões pedidos para o filme Dark Horse, e que a decisão de dar ou não andamento ao impeachment de Alexandre de Moraes é prerrogativa exclusiva do presidente do Senado, sem prazo constitucional para ser tomada.
A pressão da oposição pelo impeachment de Alexandre de Moraes chegou à mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que respondeu lembrando o pedido de R$ 130 milhões feito a Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. Esta análise reúne o que a cobertura de esquerda, de centro e de direita destacou sobre o relatório da Polícia Federal e sobre a obstrução das votações proposta no Senado.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reagiu em 2 de setembro de 2026 à pressão da oposição para que dê andamento aos pedidos de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Durante sessão plenária, Alcolumbre disse estar recebendo agressões nos últimos dias e devolveu a acusação com uma frase que se tornou o centro do episódio: “Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes.” A referência é ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, que procurou o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, em busca de recursos para a produção Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Alcolumbre afirmou que falará sobre o caso no momento que considerar adequado e que não há previsão para levar o tema à pauta.
A crise se abriu no dia anterior, 1º de setembro, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal produzido a partir do celular de Vorcaro, apreendido na operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 para apurar suspeitas de fraude na venda de carteiras de crédito do Banco Master. O documento, de 218 páginas, foi entregue em 27 de agosto e reúne mensagens, registros de chamadas, contratos e arquivos. Nele aparecem contatos atribuídos ao ministro desde 2023 e um contrato entre o banco e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes.
Os três blocos de cobertura convergem nos fatos básicos. Todos relatam a fala de Alcolumbre, a origem do material, a existência do contrato citado pela Polícia Federal e o fato de a decisão sobre abrir ou não o impeachment ser prerrogativa exclusiva do presidente do Senado, sem prazo definido. A cobertura de centro acrescentou o que os demais deixaram de fora com mais frequência: a corporação afirmou que a análise não teve caráter exaustivo, foi feita no prazo de 72 horas determinado pela Justiça e não concluiu que o ministro cometeu crime, interferiu em apurações ou atendeu a pedidos do banqueiro. Parte das mensagens foi enviada por visualização única, o que impede reconstruir as respostas do interlocutor.
A divergência começa no que cada lado escolhe pôr em primeiro plano. Veículos de direita organizaram a cobertura em torno da cobrança da oposição e do que descrevem como omissão do Senado: registraram o discurso de Flávio Bolsonaro exigindo a abertura imediata do processo, a proposta da senadora Damares Alves de obstruir todas as votações enquanto o ministro não renunciar ou não for afastado, e a avaliação do ex-governador Ronaldo Caiado, candidato à Presidência pelo PSD, de que existe maioria no Senado para votar o impeachment. Um desses textos também fez questão de registrar que o valor efetivamente repassado a Flávio Bolsonaro foi inferior aos R$ 130 milhões mencionados por Alcolumbre.
Veículos de esquerda inverteram o eixo: trataram a ofensiva como movimento político da oposição bolsonarista, deram peso à contradição de quem cobra o impeachment ter recorrido ao mesmo banqueiro e acrescentaram que o próprio André Mendonça recebeu Vorcaro fora do Supremo e sem a presença da Polícia Federal. Também destacaram que já são 109 pedidos de impeachment contra ministros da Corte protocolados no Congresso, a maioria deles contra Moraes, número que sustenta a leitura de instrumento usado como pressão rotineira sobre o Judiciário. Em contrapartida, essa cobertura passou ao largo do teor das mensagens e do contrato com o escritório da esposa do ministro.
A cobertura de centro documentou a pressão que recai sobre o próprio Alcolumbre. Até 4 de setembro havia sete petições no Conselho de Ética do Senado motivadas pelo não andamento dos pedidos de impeachment, três delas protocoladas naquela semana, entre as quais um requerimento do senador Carlos Viana (PSD-MG) pedindo o afastamento provisório do presidente da Casa. O colegiado, porém, não se reúne desde 9 de julho de 2024, e Alcolumbre tem maioria para indeferir as representações. Procurado, ele não se manifestou sobre as denúncias, e em sessão de 3 de setembro voltou a reclamar das ofensas que diz receber.
O que ainda não se sabe é decisivo. Não há data para que os pedidos de impeachment sejam lidos, nem sinal de que o Conselho de Ética volte a se reunir. Não se conhece a íntegra dos diálogos, porque parte do conteúdo não foi recuperada pelos investigadores.
Presidente do Senado foi alvo de três petições no órgão desde o início da crise no Supremo Tribunal Federal provocada pela revelação de diálogos entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes; colegiado está sem funcionar há dois anos e senador não se manifestou

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu a obstrução das votações no Senado como forma de pressionar pelo afastamento ou impeachment

Senador afirma que novas mensagens envolvendo Vorcaro justificam a abertura de processo contra o ministro do STF. Leia na Gazeta do Povo.

Candidato à Presidência pelo PSD, Caiado afirmou que não vê “possibilidade” de o ministro permanecer no cargo. Leia no Poder360.

Presidente do Senado rebateu cobranças sobre pedidos de impeachment de Moraes e relembrou vazamentos sobre Flávio Bolsonaro.

Alcolumbre reage à pressão bolsonarista por impeachment de Moraes e cita pedido de R$ 130 milhões a Vorcaro para filme sobre Bolsonaro.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), saiu em defesa do ministro Alexandre de Moraes nesta quarta-feira (2), em meio à pressão de parlamentares para que dê andamento aos pedidos de impeachment

Nesta matéria: perspectiva omitida.