Flávio Bolsonaro pede impeachment de Moraes após relatório da PF sobre Vorcaro
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O ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master, retirou em 1º de setembro o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades, entre elas o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O material descreve procuras de Vorcaro a Moraes enquanto era investigado e contratos entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. No mesmo dia, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, pediu na tribuna do Senado a abertura imediata de processo de impeachment contra Moraes. Dois dias depois, Moraes tornou público outro relatório, de inteligência da Polícia Federal, que sustenta que Mendonça pode ter extrapolado a competência do plenário do Supremo ao mandar produzir o levantamento em 72 horas.
A leitura à esquerda enxerga menos um caso de corrupção comprovado e mais uma disputa interna do Supremo Tribunal Federal sendo convertida em arma de campanha. O relatório foi produzido por determinação de um relator que, segundo a própria Polícia Federal, pode ter extrapolado a competência do plenário ao mandar levantar em 72 horas mensagens de autoridades com foro privilegiado, entre elas o procurador-geral da República.
Para a leitura à direita, o caso confirma o que se denunciava havia anos: um ministro do Supremo Tribunal Federal com poder concentrado e sem controle externo efetivo. O relatório da Polícia Federal mostra que Daniel Vorcaro procurou Alexandre de Moraes enquanto era alvo de investigação, inclusive na véspera da prisão, e registra um contrato de cerca de R$ 130 milhões entre o Banco Master e o escritório da esposa do ministro, na cuja elaboração ele teria participado segundo metadados obtidos pelos investigadores.
11 fontes políticas
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Veículos com viés ao centro
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Toda a cobertura confirma que André Mendonça liberou o relatório da Polícia Federal com mensagens de Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes, que existem contratos entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, e que Flávio Bolsonaro pediu impeachment no plenário do Senado. Há convergência também no ponto de que nada foi julgado: não há autorização do plenário do Supremo para investigar o ministro nem decisão de afastamento.
A retirada de sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes abriu a maior crise entre integrantes do Supremo Tribunal Federal nesta campanha. A seguir, o que a cobertura de centro e a de direita destacaram sobre o pedido de impeachment feito por Flávio Bolsonaro e o que segue em aberto.
O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes tornou-se o centro da crise política da primeira semana de setembro depois que o ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades. O material descreve procuras de Vorcaro a Moraes em momentos em que o empresário era alvo de investigação, inclusive às vésperas de sua prisão, e reúne informações sobre contratos entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Na terça-feira, 1º de setembro, o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, ocupou a tribuna do Senado para pedir a abertura imediata de um processo de impeachment contra o ministro.
Os veículos que cobriram o caso convergem nos fatos básicos: a decisão de Mendonça que liberou os documentos, o teor das mensagens, o pedido feito por Flávio Bolsonaro, a existência de 54 pedidos de impeachment contra Moraes parados no Senado e o fato de que cabe ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, decidir se algum deles anda. Convergem também no registro de que a divulgação dos diálogos não equivale, por si só, à comprovação de crime, e de que não há decisão de afastamento do ministro nem autorização do plenário do Supremo para investigá-lo. Dois dias depois, em 3 de setembro, Moraes tornou público um relatório de inteligência da própria Polícia Federal que aponta que Mendonça pode ter extrapolado a competência do plenário ao mandar produzir, em 72 horas, o levantamento sobre as conversas com autoridades detentoras de foro.
A divergência aparece no enquadramento. Veículos de direita organizaram a cobertura em torno da cobrança de responsabilização do ministro, deram destaque ao discurso em que Flávio Bolsonaro afirma ser preciso resgatar a democracia e trataram a inércia do Senado diante dos pedidos de impeachment como o ponto central da história. A cobertura de centro descreveu o mesmo episódio como disputa entre integrantes do Supremo e como cálculo eleitoral: registrou o fortalecimento de Mendonça, hoje responsável por investigações que atingem os dois campos políticos, o efeito do caso sobre a corrida presidencial e o uso da crise para engrossar o ato bolsonarista de 7 de setembro na Avenida Paulista, com o mote que une críticas a Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro. Nesse recorte não há veículos de esquerda entre as fontes reunidas, e a leitura desse campo aparece apenas de forma indireta, no registro de que aliados do governo evitaram transformar o episódio em pauta central e de que as novas informações não alteram automaticamente as decisões judiciais já tomadas.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há definição sobre se o plenário do Supremo Tribunal Federal autorizará investigar Moraes, decisão que depende do colegiado e não do relator. Não se sabe se Alcolumbre dará andamento a algum pedido de impeachment, nem se a avaliação da conduta de Mendonça, levada por Moraes ao presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, resultará em alguma providência. Segue em aberto o desfecho da apuração sobre o financiamento do filme Dark Horse, que envolve o próprio Flávio Bolsonaro, e o tamanho real da manifestação de 7 de setembro, sobre a qual políticos do PL admitem receio de esvaziamento.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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