Alcolumbre adia votação da PEC do fim da escala 6x1 e Lula culpa Flávio Bolsonaro
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A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou em 2 de setembro de 2026 a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1, mas o texto não foi levado ao plenário na mesma semana. No dia seguinte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva responsabilizou publicamente a oposição, em referência ao grupo do senador Flávio Bolsonaro, seu adversário na disputa presidencial, e ao senador Rogério Marinho, líder da oposição e coordenador da campanha do rival. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, não pautou a matéria e prometeu levá-la ao plenário depois do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.
Para a leitura de esquerda, o episódio expõe quem trabalha contra uma conquista trabalhista de amplo apoio popular. A PEC que encerra a escala de seis dias de trabalho por um de folga passou pela Câmara dos Deputados e pela CCJ do Senado, mas foi travada na antessala do plenário por uma articulação da oposição conduzida por Rogério Marinho, coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.
Na leitura de direita, o adiamento é menos obstrução e mais aritmética: o governo não tinha os 49 votos necessários e preferiu não arriscar uma derrota simbólica em plena campanha. A ênfase recai sobre o uso eleitoral da proposta, transformada em vitrine da candidatura à reeleição, com inserções de rádio que atacam nominalmente o adversário.
7 fontes políticas
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Veículos com viés ao centro
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Veículos com viés à direita
Todos os lados registram os mesmos fatos: a CCJ do Senado aprovou a PEC do fim da escala 6x1 em 2 de setembro, o texto não foi ao plenário na última semana de esforço concentrado antes do primeiro turno, e Davi Alcolumbre prometeu pautar a votação depois de 4 de outubro. Há convergência também sobre a falta de garantia dos 49 votos necessários.
A proposta que acaba com a escala 6x1 passou pela CCJ do Senado, mas não chegou ao plenário antes do primeiro turno. O presidente responsabilizou o grupo do adversário na corrida presidencial; o comando do Senado alegou falta de votos e prometeu pautar o texto depois de outubro. Veja o que cada lado da cobertura enfatiza e o que muda na jornada de trabalho.
A Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou na quarta-feira, 2 de setembro de 2026, a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala de trabalho 6x1, mas o texto não foi ao plenário na mesma semana. No dia seguinte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou as redes sociais para responsabilizar a oposição pelo adiamento, sem citar nomes, em referência ao grupo do senador Flávio Bolsonaro, seu principal adversário na disputa presidencial, e ao senador Rogério Marinho, líder da oposição e coordenador da campanha do rival. Um dia depois, em entrevista a uma rádio no Ceará, o presidente disse não entender as razões do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para postergar a análise, e chamou o episódio de uma pena.
O texto aprovado pela comissão é o mesmo que veio da Câmara dos Deputados: jornada máxima de 40 horas semanais distribuídas em até cinco dias, com dois dias de descanso remunerado e sem redução de salário. A implementação seria gradual, com a jornada caindo primeiro para 42 horas semanais e chegando a 40 horas doze meses depois da promulgação. O relator, senador Omar Aziz, rejeitou mais de trinta emendas apresentadas pela oposição e recomendou a aprovação do texto sem mudanças, justamente para evitar que a proposta precisasse voltar aos deputados. Para virar norma, a PEC ainda precisa de pelo menos 49 votos dos 81 senadores, em dois turnos.
Toda a cobertura converge no motivo imediato da parada. Davi Alcolumbre não incluiu a matéria na pauta do plenário na última semana de esforço concentrado antes do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. Segundo o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, o presidente do Senado perguntou se havia segurança quanto ao número de votos, e a checagem entre os senadores indicou que não havia. Na comissão, registraram posição contrária Rogério Marinho, Jaime Bagattoli, Hamilton Mourão e Tereza Cristina, os quatro em meio de mandato e sem disputar a eleição deste ano.
Veículos de esquerda destacaram o mérito trabalhista e a manobra regimental: mais de trinta emendas, pedido de vista que suspendeu a reunião por uma hora e uma tentativa de flexibilizar a organização da jornada que não prosperou. Nessa leitura, o adiamento é obstrução deliberada contra uma conquista de amplo apoio popular, e o argumento de que a medida quebraria a economia repete o que já se disse contra as férias e o décimo terceiro salário. A cobertura de centro acrescentou o dado institucional que falta nessa versão: a decisão de pautar cabe ao comando do Senado, o governo não tinha o quórum garantido e preferiu não arriscar uma derrota, além de registrar que a proposta encerra uma sequência de reaproximação entre o Palácio do Planalto e a presidência da Casa depois de meses de distanciamento. Veículos de direita enfatizaram o uso eleitoral da pauta, descrevendo a PEC como vitrine de campanha do presidente, com inserções de rádio que atacam nominalmente o adversário, e deram peso ao argumento apresentado na comissão de que a redução da jornada encarece a contratação e pressiona preços, com resistência de setores como indústria e comércio.
O calendário eleitoral atravessa o episódio dos dois lados. Uma aprovação antes de 4 de outubro seria trunfo de campanha para o Executivo; depois dessa data, o Senado já conhecerá os eleitos para 54 das 81 vagas, o que tende a reduzir o apelo do tema entre parlamentares. Alcolumbre afirmou em plenário, diante do senador Paulo Paim, que a proposta será votada depois do primeiro turno, enquanto o governo tenta convocar sessão extraordinária ainda em setembro ou levar o texto ao esforço concentrado previsto para a segunda semana de outubro.
O que ainda não se sabe é quando a votação de fato ocorrerá e se o governo conseguirá reunir os 49 votos em dois turnos. Nenhuma das reportagens apresenta o mapa nominal de apoio, uma estimativa de custo da medida para os setores que funcionam sem pausa, nem manifestação direta de Flávio Bolsonaro ou de Rogério Marinho sobre a acusação de terem articulado a desmobilização do plenário.
Em entrevista, presidente disse não entender o motivo de Alcolumbre postergar a análise do texto pelo plenário

Sem citar nomes, Lula criticou articulação da oposição contra a votação da PEC da 6x1 no plenário do Senado e afirmou que atuação dos senadores mostrou quem trabalha para reduzir a jornada e quem tenta impedir

Petista citou indiretamente Rogério Marinho, líder da oposição e coordenador da campanha de adversário

Governo pressionava para que a votação fosse concluída ainda nesta semana, durante o esforço concentrado do Senado. Davi Alcolumbre, no entanto, não incluiu a proposta na pauta.

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