Lula evita críticas a Raquel Lyra no Recife para não perder apoio no Nordeste
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Pelo prisma da direita, a visita expôs a fragilidade da campanha de Lula: sem espaço para errar, o presidente evitou atacar Raquel Lyra, que lidera as pesquisas com aprovação acima de 60%, e ainda deu munição à governadora ao pedir que mulheres votem em mulheres ao lado de João Campos. A cautela veio depois de uma fala considerada desastrosa pela própria campanha contra o senador Ciro Nogueira.
Na reta final do primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez atos com aliados no Recife e em Maceió sem criticar os adversários locais, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), e JHC, em Alagoas. A cautela atende à orientação da campanha petista de não empurrar apoios regionais para Flávio Bolsonaro (PL) numa disputa presidencial apertada, mas frustrou as campanhas coligadas nos dois estados.
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Na reta final do primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva subiu ao palanque com João Campos no Recife e com aliados em Maceió, mas evitou atacar a governadora Raquel Lyra e JHC. A campanha petista teme perder apoios no Nordeste para Flávio Bolsonaro numa disputa apertada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva percorreu Recife e Maceió na reta final do primeiro turno e evitou criticar os principais adversários de seus aliados nos dois estados: a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, do PSD, e JHC, em Alagoas. Os atos reuniram milhares de eleitores, mas a postura cautelosa deixou frustradas as campanhas locais coligadas ao presidente.
No Recife, na sexta-feira, 25, Lula subiu ao palanque com João Campos, do PSB, ex-prefeito da capital e seu candidato oficial ao governo. Também estavam no ato os candidatos ao Senado Humberto Costa, do PT, e Marília Arraes, do PDT. Mesmo sem agenda com a governadora, o presidente do PT, Edinho Silva, telefonou para Raquel Lyra para sinalizar que o Palácio do Planalto não abandonou a candidata. A governadora lidera as pesquisas recentes na disputa estadual.
A cobertura converge sobre o motivo da cautela. Com a eleição presidencial disputada voto a voto e o crescimento de Flávio Bolsonaro, do PL, no Nordeste, a campanha petista teme que qualquer crítica empurre Raquel Lyra para o lado do adversário. A governadora enfrenta desgaste por um vídeo antigo, gravado em Garanhuns, em que sugere fazer uma laqueadura em uma mulher grávida do oitavo filho sem que ela soubesse. Esterilizar uma mulher sem consentimento é crime no Brasil. Segundo a pesquisa Quaest, Lula tem 58% contra 25% de Flávio Bolsonaro num eventual segundo turno em Pernambuco, mas estrategistas dizem que o presidente não pode perder nenhum apoio consolidado.
A cobertura de centro relatou os bastidores da estratégia e a frustração dos aliados: a cúpula da campanha orientou Lula a medir as palavras no palanque e temia que a primeira-dama Janja da Silva tocasse no tema da laqueadura. A mesma cobertura registrou que a equipe do presidente considerou desastrosa uma fala anterior no Piauí, quando Lula chamou de vira-lata o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, o que aproximou o parlamentar de Flávio Bolsonaro.
Veículos de direita enfatizaram o ganho da governadora. Aliados de Raquel Lyra comemoraram a frase de Lula de que, se as mulheres votarem em mulheres, o país pode ter uma maioria feminina no Congresso. Embora a declaração tratasse da representação no Legislativo, ela foi lida pelo entorno da governadora como abertura para disputar o voto feminino, justamente porque foi dita ao lado de João Campos. Essa cobertura destacou ainda que Raquel Lyra tem aprovação acima de 60%.
Não houve, até o momento, cobertura de veículos de esquerda sobre o episódio, o que deixa sem contraponto próprio a leitura favorável à estratégia do presidente.
Ainda não se sabe se a cautela de Lula vai render apoio de Raquel Lyra num eventual segundo turno presidencial, nem qual será o efeito da frustração dos aliados sobre as campanhas de João Campos, em Pernambuco, e dos candidatos coligados em Alagoas. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro.
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O giro do presidente Lula (PT) ontem e hoje por Maceió e Recife abraçou as campanhas de aliados e juntou milhares de eleitores, mas deixou uma frustração nas campanhas locais dos candidatos coligados ao governo nos dois estados.
