O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, pediu um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a passagem do brasileiro pela cidade para a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas, a ONU. Até o momento, apenas um veículo cobriu o caso, relatando que a equipe do presidente avaliava os prós e os contras de uma reunião bilateral e que a agenda ainda não havia sido confirmada.
Mamdani, que se define como socialista democrata, é hoje apontado como uma das figuras de maior oposição ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo a reportagem, a equipe do prefeito havia convidado Lula, primeiro, para um encontro de líderes progressistas, e o presidente declinou. Na mesma semana, Mamdani participaria de um encontro sobre economias mais inclusivas ao lado do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez.
A viagem de Lula foi planejada para ser curta. Pela agenda divulgada, o presidente chegaria a Nova York na noite de domingo, 20 de setembro, e partiria logo depois de discursar na manhã de terça-feira, 22, quando o Brasil tradicionalmente abre a fala dos chefes de Estado. A segunda-feira ficaria reservada às conversas bilaterais, previstas para a residência do representante permanente do Brasil na ONU, o embaixador Sérgio Danese, onde Lula se hospedaria. A pressa, de acordo com membros do governo ouvidos pela reportagem, tem relação com a eleição brasileira de 4 de outubro e, em menor medida, com a relação desgastada com Trump.
O cálculo diplomático é o centro da dúvida. Um encontro com Mamdani poderia ser lido pela Casa Branca como provocação num momento sensível da relação entre os dois países, marcado por sanções econômicas a autoridades brasileiras e pela revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti, que segue trabalhando normalmente em Washington. Uma pessoa envolvida nas conversas, porém, afirmou que não há razão para temer provocação, já que o próprio Trump se reuniu com Mamdani e o elogiou. Outro fator citado é o volume de pedidos de bilaterais que Lula recebe, diante de uma agenda muito apertada.
A reportagem também descreve o perfil do prefeito. Desde que assumiu o cargo, em janeiro, Mamdani confronta a política migratória de Trump e as detenções em larga escala feitas pela agência de imigração americana, conhecida pela sigla ICE. Ele ordenou que a polícia da cidade não colabore com esses agentes federais. Durante a Assembleia, o prefeito também veria adversários na cidade, como o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional por crimes na guerra em Gaza. Mamdani chegou a dizer que Netanyahu seria preso se viesse a Nova York, mas depois recuou, reconhecendo que a polícia local não tem autoridade para isso.
O que ainda não se sabe é se a reunião entre Lula e Mamdani chegou a ser marcada, quais temas estariam na pauta e como a Casa Branca reagiria a um eventual encontro. A reportagem se apoia em fontes do governo que falaram sob reserva, sem manifestação oficial do Palácio do Planalto nem da equipe do prefeito.