A ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), classificou como "equívoco estratégico" a decisão do PT de Minas Gerais de lançar uma candidatura própria ao governo do estado em 2026. A declaração, divulgada em nota nesta quinta-feira, ocorreu um dia depois de a cúpula do partido aprovar a estratégia e apontar a ex-prefeita como o melhor nome para encabeçar a chapa, com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Marília reafirmou que sua "única disponibilidade política" para a disputa de 2026 é concorrer a uma vaga no Senado, candidatura na qual lidera as pesquisas de intenção de voto em Minas. Para ela, o partido não deveria apresentar um nome próprio ao Executivo estadual, mas sim liderar a construção de uma aliança ampla, reunindo PT, PCdoB, PV, PSB, MDB, Rede, PSOL, PDT e outras forças que sustentam o governo federal.
A cobertura de centro, feita por veículos como g1, Poder360, Folha de S.Paulo, O Globo e Estado de Minas, relatou os fatos de forma factual: a reunião no Palácio da Alvorada na quarta-feira, a confirmação da estratégia pela presidente estadual do PT, a deputada Leninha, e o histórico do impasse. Esses veículos lembraram que o partido só passou a buscar um nome próprio após a desistência do senador Rodrigo Pacheco (PSB), e que conversas anteriores com Alexandre Kalil (PDT) e com o MDB não prosperaram. Articuladores próximos à ex-prefeita, ouvidos sob reserva, afirmaram que ela foi surpreendida pela indicação de Lula.
Veículos de esquerda, como a CartaCapital, enfatizaram o argumento de Marília de que uma candidatura solo poderia fragilizar o "campo democrático e popular" no estado. Nessa leitura, a força do projeto liderado por Lula viria da construção de frentes amplas, como na eleição de 2022, e não do isolamento partidário. A polarização, segundo esse enquadramento, tenderia a desviar o debate dos problemas concretos dos mineiros e a dificultar a formação de uma maioria capaz de sustentar o projeto progressista.
Uma leitura mais à direita do mesmo episódio destacaria o desgaste e a divisão interna do PT: mesmo após a indicação pessoal do presidente, a favorita rejeitou publicamente a candidatura ao governo, expondo a dificuldade de Lula para montar um palanque competitivo em Minas, segundo estado em número de eleitores e peça-chave para sua tentativa de reeleição. Nessa chave, a sucessão de conversas frustradas e a falta de outros nomes fortes sinalizam fragilidade na articulação da legenda.
O que ainda não se sabe é se a pressão da cúpula petista fará Marília recuar e aceitar a cabeça de chapa ao governo, ou se o PT seguirá com a candidatura própria mantendo a ex-prefeita no Senado. A direção nacional, por meio do presidente do partido, Edinho Silva, ainda pretende conversar com ela, e a definição do palanque mineiro pode ser anunciada nos próximos dias.