A poucos dias do fim do prazo legal, o registro de candidaturas ao Senado entrou na reta final e escancarou patrimônios muito distintos entre os concorrentes. Em 13 de agosto de 2026, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, filiada à Rede Sustentabilidade e hoje deputada federal por São Paulo, teve sua candidatura ao Senado registrada na Justiça Eleitoral e declarou R$ 274,5 mil em bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor está distribuído em R$ 102,4 mil em imóveis, R$ 91,7 mil em caderneta de poupança, R$ 57,9 mil em depósitos bancários, R$ 16,7 mil em aplicações de renda fixa e um título de previdência privada estimado em R$ 5,5 mil. Quatro anos antes, na eleição de 2022, ela havia declarado patrimônio de R$ 120,9 mil.
No outro extremo da lista de declarações, em Minas Gerais, Ana Luiza do MLB, candidata ao Senado pelo partido Unidade Popular, informou R$ 2 mil, integralmente depositados em conta corrente. É a primeira eleição que ela disputa e, por isso, a Justiça Eleitoral não tem registro de patrimônio anterior. As legendas mineiras apresentaram treze nomes para a disputa ao Senado, e o prazo para que os partidos oficializem as candidaturas termina às 19h de sábado, 15 de agosto, segundo o TSE.
A cobertura de centro tratou o episódio como prestação de contas. Relatou os valores declarados rubrica a rubrica, acompanhou a divulgação dos patrimônios candidato a candidato e registrou o calendário oficial sem atribuir juízo aos números. Veículos de direita reproduziram os mesmos dados patrimoniais, mas deram peso maior à trajetória política de Marina Silva, com destaque para a sexta eleição que disputa desde 2010, as três candidaturas à Presidência, a cabeça de chapa que assumiu após o acidente que vitimou Eduardo Campos em 2014, os 22,1 milhões de votos válidos obtidos naquele primeiro turno e o mandato de deputada federal conquistado em 2022. Esses textos fecham sublinhando que ela forma com Simone Tebet uma chapa composta por duas mulheres em São Paulo, apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o que aproxima a candidatura do arranjo governista. Veículos de esquerda não publicaram cobertura própria do registro no material reunido até agora, de modo que a leitura sobre o significado social da candidatura e sobre a desigualdade entre os patrimônios declarados não aparece no conjunto analisado.
O mesmo prazo pressiona outros estados. Em Alagoas, a apuração de bastidores da cobertura de centro indica que o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas, o JHC, filiado ao PSDB, caminha para disputar o Senado, decisão que reorganizaria o tabuleiro local. A federação União Progressistas e o Partido Liberal contavam com ele na corrida ao governo do estado, ao lado do ex-presidente da Câmara Arthur Lira, candidato do Progressistas ao Senado. O texto registra ainda que Marina Candida, esposa de João Henrique Caldas, deve concorrer à Câmara dos Deputados, e que uma operação da Polícia Federal mirou ex-gestores do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió, sem que o ex-prefeito seja investigado.
O que ainda não se sabe é se João Henrique Caldas confirmará oficialmente a candidatura ao Senado e se costurará aliança com Arthur Lira ou com o senador Renan Calheiros, candidato à reeleição. Também não estão detalhados os patrimônios da maioria dos treze pré-candidatos mineiros, nem foi apurada a origem da variação nos bens declarados por Marina Silva desde 2022. Registro protocolado não é candidatura confirmada: cada pedido ainda passa por julgamento da Justiça Eleitoral, que pode deferir ou indeferir os nomes depois de encerrado o prazo de sábado.