Protesto contra fábrica de amônia da Proman em Topolobampo pressiona Sheinbaum
Relato de fonte única, atribuído a DW Brasil. Esta cobertura não compara posições do espectro político.

Resumo da cobertura
Uma fábrica de amônia da empresa suíça Proman, em construção na Baía Ohuira, em Topolobampo, no norte do México, virou uma das maiores crises socioambientais do governo da presidente Claudia Sheinbaum. Comunidades indígenas, ambientalistas e pesquisadores acusam irregularidades. A empresa e o banco alemão financiador negam e dizem que a obra tem as autorizações necessárias.
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Briefing
O que importa para você
- A obra está 88% concluída, segundo a empresa, e o consórcio financiador já aportou cerca de 860 milhões de dólares.
- Cerca de 6 mil indígenas mayo-yoreme seriam afetados, segundo o líder da comunidade.
- O governo de Claudia Sheinbaum, o banco alemão KfW IPEX-Bank e a Suíça estão sob pressão de nove relatorias da Organização das Nações Unidas.
O que ainda está incerto
- Qual será a resposta do governo mexicano ao bloqueio e às críticas.
- Se a auditoria independente encomendada pelo banco mudará algo na obra.
- Se haverá plano de emergência para os riscos apontados no estudo da empresa.
A fábrica de amônia da empresa suíça Proman em Topolobampo, no norte do México, virou crise para o governo de Claudia Sheinbaum. Comunidades indígenas denunciam consulta fraudulenta, enquanto a empresa diz ter todas as autorizações e a obra está 88% concluída.
Uma fábrica de amônia em construção na Baía Ohuira, no porto de Topolobampo, no estado de Sinaloa, norte do México, tornou-se uma das maiores crises socioambientais do governo da presidente Claudia Sheinbaum. Até o momento, apenas um veículo, de enquadramento de centro, cobriu o caso, relatando que o projeto da empresa suíça Proman, tocado pela subsidiária mexicana Gas y Petroquímica de Occidente, prevê produzir 2,2 mil toneladas métricas de amônia por dia, essencialmente para fertilizantes químicos.
O empreendimento tem apoio do banco público alemão KfW IPEX-Bank, parte de um consórcio que já aportou cerca de 860 milhões de dólares. A cobertura relata que milhares de pessoas foram às ruas, que há um bloqueio permanente nas instalações, que mais de 135 mil assinaturas contra o projeto foram reunidas e que nove relatorias especiais da Organização das Nações Unidas enviaram cartas de alerta aos governos do México, da Alemanha e da Suíça. Na noite de 4 de junho, cerca de cem pessoas se reuniram diante da Embaixada da Alemanha na capital mexicana, durante a visita do chanceler alemão, Johann Wadephul. O muro foi pichado com excrementos e uma suástica, ato condenado pela própria embaixada. No dia 7 de junho, milhares marcharam 24 quilômetros de Los Mochis até Topolobampo para tentar fechar as instalações.
Os críticos são o governador tradicional de Ohuira, Felipe Montaño Valenzuela, e a pesquisadora Diana Escobedo, do Instituto Politécnico Nacional. Montaño calcula que cerca de 6 mil indígenas mayo-yoreme seriam afetados, em um sítio Ramsar e em território sagrado. Ele diz que não houve consulta prévia e que a consulta de 2024, exigida pela Suprema Corte, foi fraudulenta, ao incluir comunidades a até 45 quilômetros de distância: as quatro mais afetadas votaram contra e oito mais distantes votaram a favor. A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, ratificada pelo México, garante consulta prévia, livre e informada. Segundo ele, 28 hectares de áreas úmidas já foram aterrados.
Escobedo, que estuda a baía há 30 anos, afirma que a obra é ilegal por estar em sítio Ramsar e na zona marítimo-terrestre federal, e que a captação de 2 mil metros cúbicos de água salgada por hora ameaça larvas de peixes, camarões, caranguejos e ostras. Ela cita ainda um estudo de risco da própria empresa com oito cenários de alto perigo, incluindo explosões e nuvens tóxicas, e a ausência de plano de emergência apresentado pelas autoridades.
Do outro lado, a empresa afirma que a obra está 88% concluída e que tem todas as autorizações socioambientais nacionais e internacionais. Diz que as torres que viralizaram captam CO₂. O KfW declarou que todos os processos judiciais foram decididos a favor da empresa e rejeitou as conclusões da ONU de que houve violações graves, embora tenha encomendado uma auditoria independente preventiva sobre a consulta. A embaixada alemã disse que empresas alemãs devem cumprir normas ambientais e sociais, mas que a fiscalização cabe às autoridades mexicanas.
Como a cobertura veio de uma única fonte, não é possível comparar enquadramentos entre veículos de esquerda e de direita. Ainda não se sabe como o governo Sheinbaum responderá à pressão, se a auditoria do banco alterará o cronograma da obra e se haverá plano de emergência para as comunidades vizinhas.
Fontes
Projeto suíço quer criar polo de produção de fertilizantes, com financiamento de banco público alemão. Embaixada da Alemanha foi alvo de pichações, com excrementos e suástica.
