Nunes Marques exige autorização da Justiça Eleitoral para transporte de indígenas
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
- Agência BrasilTransporte de indígenas deve ser aprovado por juiz, diz Nunes MarquesNa decisão, presidente do TSE diz que veículos até podem fazer o transporte, mas que para cada transporte é preciso haver autorização do juiz competente.(abre em nova aba)
Nesta matéria: viés de centro.
- CartaCapitalNunes Marques barra transporte de indígenas sem aval da Justiça EleitoralO presidente do TSE se manifestou no âmbito de uma ação da campanha de Lula(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Veículos com viés ao centro
- O GloboPGR pede ao STF para suspender decisão de Nunes Marques que restringe transporte de indígenas no segundo turnoPaulo Gonet afirma que exigência de autorização prévia pode impedir milhares de eleitores de votar e pede restabelecimento de plano de transporte aprovado pela Justiça Federal(abre em nova aba)
Nesta matéria: perspectiva omitida.
Ponto cego: esse lado ficou de fora.
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Briefing
O que importa para você
- A autorização exige veículo, condutor, horário, percurso e ponto de embarque informados antes de cada viagem.
- Pedidos fora do prazo podem ser apresentados aos tribunais regionais, inclusive no domingo de votação.
- A votação do segundo turno é no domingo, 25 de outubro.
Onde os lados concordam
- Nunes Marques exige autorização prévia da Justiça Eleitoral para cada operação de transporte de indígenas.
- Cerca de 7,2 mil eleitores indígenas dependem de condução, 4.770 por via fluvial.
O que ainda está incerto
- Se o Supremo Tribunal Federal decide sobre o pedido da Procuradoria-Geral da República antes da votação.
- Quantos eleitores indígenas conseguirão transporte dentro das novas condições.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, decidiu que o transporte de eleitores indígenas por órgãos federais depende de autorização da Justiça Eleitoral. A Procuradoria-Geral da República recorreu ao Supremo na véspera do segundo turno.
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, decidiu que o transporte de eleitores indígenas por veículos e embarcações de órgãos federais no segundo turno só pode ocorrer com autorização prévia do juiz eleitoral competente. A decisão negou pedido da coligação Brasil Pronto Pra Mais, do candidato Luiz Inácio Lula da Silva, que queria liberar o uso de veículos da Fundação Nacional dos Povos Indígenas, da Secretaria de Saúde Indígena e do Ministério dos Povos Indígenas apenas com comunicação prévia de itinerários. Neste sábado, a Procuradoria-Geral da República recorreu ao Supremo Tribunal Federal contra parte da decisão.
A cobertura de centro relatou que, segundo Nunes Marques, esses órgãos podem fazer o transporte, mas cada operação precisa ser autorizada. Será preciso informar os veículos ou embarcações, os condutores responsáveis, o horário, o percurso e o ponto de embarque, além de comunicar antes o Ministério Público Eleitoral e os partidos, para fiscalização. O ministro orientou os tribunais regionais eleitorais a receber e analisar pedidos fora dos prazos ordinários, inclusive no dia da votação. Também negou criar comitês regionais a dois dias do pleito, por entender que eles já estão previstos em norma, e afirmou que indígenas que não falam português devem ter intérpretes na área externa à cabine.
A cronologia ajuda a entender o impasse. Na quinta-feira, a Justiça Federal do Pará determinou que a União adotasse medidas emergenciais para garantir transporte gratuito a eleitores indígenas, com embarcações, veículos e até aeronaves. Na sexta-feira, a Justiça Federal homologou o plano apresentado pela União. Menos de duas horas depois, Nunes Marques fixou a exigência de autorização prévia. Um episódio anterior no Vale do Javari, no Amazonas, também aparece na cobertura: a Justiça Eleitoral negou transporte fluvial, água e alimentos pedidos pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari e, na quinta-feira, após acordo, o tribunal regional confirmou apoio logístico. Nunes Marques considerou que a reavaliação desse caso perdeu o objeto.
Veículos de esquerda destacaram o efeito prático da decisão sobre o direito ao voto. Enquadraram o texto como um bloqueio ao pedido da campanha de Lula, motivado por barreiras de acesso às urnas e por recusas de juízes eleitorais por perda de prazo ou falta de orçamento. Citaram dados do Ministério dos Povos Indígenas segundo os quais cerca de 7,2 mil eleitores indígenas precisam de condução, dos quais 4.770 dependem de transporte fluvial. Também ressaltaram que o pedido buscava proteger servidores das instituições indigenistas de responsabilização por transporte irregular.
A cobertura de centro deu mais peso à reação institucional. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a suspensão imediata das restrições e o restabelecimento do plano homologado pela Justiça Federal. Segundo ele, a exigência de autorização individualizada a poucas horas da eleição pode inviabilizar o deslocamento, e escreveu que "uma condição que não pode ser cumprida no tempo disponível opera como proibição". A petição também sustenta que a decisão compromete uma ordem judicial em vigor e cria insegurança para servidores públicos.
Nenhum veículo de direita foi encontrado cobrindo o caso até o momento, e por isso não há enquadramento próprio desse campo para relatar. A argumentação de fundo do lado do TSE, que consta apenas na decisão resumida, é a de que o controle prévio e individualizado preserva a fiscalização do transporte de eleitores, que a lei eleitoral restringe, e de que o transporte público gratuito no dia da votação é responsabilidade de prefeituras e governos.
O que ainda não se sabe é se o Supremo vai analisar o pedido da Procuradoria antes de domingo e como os tribunais regionais eleitorais vão tratar, em horas, os pedidos de autorização apresentados fora do prazo. Também não está claro quantos dos 7,2 mil eleitores indígenas conseguirão efetivamente ser transportados dentro das novas condições.
Fontes
Na decisão, presidente do TSE diz que veículos até podem fazer o transporte, mas que para cada transporte é preciso haver autorização do juiz competente.
O presidente do TSE se manifestou no âmbito de uma ação da campanha de Lula

Paulo Gonet afirma que exigência de autorização prévia pode impedir milhares de eleitores de votar e pede restabelecimento de plano de transporte aprovado pela Justiça Federal
