O ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal dos casos ligados ao Banco Master, autorizou uma série de medidas pedidas pela Polícia Federal em investigações que alcançam figuras próximas ao poder. Em decisão tomada em maio e mantida sob sigilo, o ministro liberou o uso de mecanismos de cooperação jurídica internacional para que autoridades brasileiras possam rastrear no exterior ativos de investigados no escândalo de fraudes do banco do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Dias depois, o mesmo relator autorizou a abertura de um novo inquérito para apurar suspeita de tráfico de influência atribuída a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, no Ministério da Saúde.
A cobertura de centro relatou os fatos de forma detalhada e cuidadosa. Registrou que o despacho sobre a cooperação internacional tem caráter preventivo: não determina rastreamento nem bloqueio imediato de valores e não especifica alvos, apenas garante a chancela prévia do STF para eventuais diligências no exterior, prática comum em casos de lavagem de dinheiro. No caso de Lulinha, a apuração busca esclarecer se ele foi sócio do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, em empresa de cannabis medicinal, e se atuou para viabilizar a venda de medicamentos ao Sistema Único de Saúde, com a intermediação da consultora Roberta Luchsinger. A defesa do filho do presidente classificou a medida como pescaria probatória ilegal movida por interesse político e sustentou que será preciso esclarecer a competência do STF para o caso.
Veículos de direita enfatizaram a dimensão do escândalo e a necessidade de recuperar bens ocultos no exterior, descrevendo as fraudes como bilionárias e destacando o esforço para identificar dinheiro e imóveis escondidos por investigados fora do país. O enquadramento valoriza a responsabilização e o rastreamento de ativos como resposta à corrupção dentro do círculo do poder.
Parte da cobertura também tratou de outra frente do mesmo caso: a investigação sobre o senador Jaques Wagner. Nela, o relator manifestou preocupação explícita com o risco de vazamento das apurações, após identificar que um investigado pediu audiência em seu gabinete no mesmo dia em que a PF protocolou pedidos de quebra de sigilo. Os documentos citam táticas de contrainteligência, como mensagens efêmeras e linguagem cifrada, e apontam suposto favorecimento ligado a um apartamento avaliado em milhões de reais.
Veículos de esquerda não deram destaque ao caso até o momento, o que configura um ponto cego na cobertura: os argumentos de defesa dos investigados, ligados ao campo governista, aparecem sobretudo pela reprodução factual das notas de seus advogados, sem um enquadramento próprio que conteste a condução das apurações.
O que ainda não se sabe: se as diligências de rastreamento de ativos no exterior já estão em curso, quem são os alvos específicos das medidas e se o STF permanecerá como foro competente para a nova apuração sobre Lulinha, ponto questionado pela defesa. A decisão sobre o caso Master, tomada em maio, segue sob sigilo.