O ministro Andre Mendonca, do Supremo Tribunal Federal, tornou publica na quinta-feira, 30 de julho, a decisao em que autorizou a Policia Federal a monitorar por dez dias a localizacao aproximada do celular do senador Jaques Wagner, do PT da Bahia, e de outros investigados na chamada Operacao Compliance Zero. A apuracao mira suspeitas de corrupcao, lavagem de dinheiro e organizacao criminosa ligadas ao antigo Banco Master. Ao levantar o sigilo, o ministro informou que as diligencias autorizadas ja haviam sido encerradas.
A cobertura de centro relatou de forma tecnica o alcance da medida: a PF teve acesso a metadados, como registros de antenas de telefonia, historico de chamadas e identificacao de aparelhos, mas nao ao conteudo das conversas. Dos dez alvos listados, apenas seis tiveram o monitoramento em tempo real autorizado, entre eles Wagner e o empresario Augusto Ferreira Lima, ex-socio do banco. O ministro registrou que a autorizacao nao representa juizo de culpa e que serve tambem para confirmar ou afastar vinculos com os fatos apurados. Todos os lados convergem em pontos centrais: a PF identificou 74 ligacoes entre o senador e Lima entre novembro de 2023 e maio de 2025, somando mais de cinco horas e meia; a principal suspeita envolve a compra de um apartamento de cerca de R$ 2,45 milhoes em Salvador; e o proprio ministro citou risco de vazamento depois que um dos investigados pediu audiencia em seu gabinete no mesmo dia em que a PF apresentou os pedidos.
Veiculos de direita enfatizaram a acumulacao de supostas vantagens e o tom acusatorio dos relatorios: alem do apartamento, citam ingressos para um show da cantora Taylor Swift avaliados em R$ 63 mil, viagens em jatinho, uma transferencia de R$ 3,5 milhoes a empresa ligada a familia do senador e a apreensao de dolares, euros e relogios de luxo durante as buscas. Destacaram ainda que o ex-controlador Daniel Vorcaro via o parlamentar como 'aliado politico' e que a operacao alcancou outros nomes, como o senador Ciro Nogueira e o governador Claudio Castro.
Veiculos de esquerda destacaram que a medida se limita a dados perifericos de localizacao, sem escuta, e que a propria decisao ressalva a presuncao de inocencia. Deram peso a defesa do senador, que pediu a anulacao da operacao alegando erros graves, afirmou que jamais atuou no Congresso para favorecer o banco e sustentou que a unica emenda de sua autoria sobre o tema buscava limitar juros e proteger consumidores. Wagner comparou o episodio a uma investigacao de 2018, tambem em ano eleitoral, que terminou arquivada, e disse estar focado na eleicao. Uma semana apos as buscas de 18 de junho, ele deixou a lideranca do governo no Senado, com apoio publico de Lula.
O que ainda nao se sabe e se havera comprovacao da chamada relacao de troca, ponto que o senador afirma que a PF nao conseguira demonstrar. Tambem seguem em aberto o desfecho do pedido de anulacao apresentado ao STF, a identidade de quem solicitou a audiencia que motivou a suspeita de vazamento e o resultado do depoimento marcado para a primeira semana de agosto.