Relatório da PF liga Alexandre de Moraes a contrato de R$ 131 milhões com Vorcaro
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O ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal das investigações sobre o Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal elaborado a partir do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O documento reúne mensagens atribuídas a um contato identificado como Alexandre de Moraes, registros de ao menos seis encontros entre os dois e metadados de um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. As respostas do interlocutor não foram recuperadas e o relatório não demonstra que os pedidos do banqueiro tenham sido atendidos. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a nulidade do relatório, e o presidente do tribunal, Edson Fachin, passou a consultar os ministros sobre levar o caso ao plenário.
Pelo prisma da esquerda, o episódio expõe menos um ministro isolado do que a captura das instituições pelo poder econômico: um banqueiro acusado de fraudar cerca de R$ 12 bilhões, boa parte contra um banco público, comprava proximidade com autoridades, custeava viagens e mantinha contrato milionário com um escritório de advocacia ligado à cúpula do Judiciário.
Pelo prisma da direita, o caso é a demonstração mais concreta em anos de que o Supremo Tribunal Federal opera sem controle externo. Um banqueiro sob investigação tinha canal direto com um ministro, pedia intervenção junto ao chefe da Polícia Federal e ao procurador-geral da República, e mantinha contrato de R$ 131 milhões com o escritório da mulher do magistrado, cuja minuta aparece editada por usuário identificado como o próprio ministro.
11 fontes políticas
Como decidimos →Veículos com viés à esquerda
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Veículos com viés ao centro
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Veículos com viés à direita
Nesta matéria: perspectiva omitida.
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Toda a cobertura aceita os mesmos pontos: o relatório existe, foi produzido por ordem de André Mendonça a partir do celular de Daniel Vorcaro e reúne mensagens atribuídas a um contato identificado como Alexandre de Moraes, além do contrato de R$ 131 milhões com o escritório de Viviane Barci de Moraes. Também há acordo sobre os limites do documento: as respostas do ministro não foram recuperadas e nada prova que os pedidos do banqueiro tenham sido atendidos.
O Supremo Tribunal Federal vive uma crise interna depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O material reúne mensagens, registros de encontros e um contrato de R$ 131 milhões com o escritório da mulher do ministro.
O Supremo Tribunal Federal atravessa a mais grave crise interna dos últimos anos depois que o ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master, retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal produzido a partir da análise do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O documento, elaborado no âmbito da Operação Compliance Zero, reúne mensagens, registros de encontros, cópias de contratos e metadados de arquivos, e descreve uma relação de proximidade entre o ex-controlador do banco, preso em novembro de 2025, e o ministro Alexandre de Moraes.
Segundo o relatório, o celular de Vorcaro guardava um contato salvo como Alexandre de Moraes BRASILIA. Dois dias antes da prisão, o banqueiro escreveu: 'Acha que segunda já tenho que estar fora?'. Em outras passagens, pergunta se havia chance de algo acontecer na manhã seguinte e, no dia da detenção no aeroporto de Guarulhos, indaga se o interlocutor conseguiu ter notícia ou bloquear alguma medida. Há ainda um pedido para que o destinatário reforçasse a atuação com Andrei e Paulo, identificados pelos investigadores como o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Outro trecho registra que um advogado do banco pediu e obteve autorização para incluir o filho do procurador-geral em uma viagem a Londres custeada pelo grupo, sem que a corporação atribua conduta criminosa a Gonet.
A outra frente do documento é comercial. O Banco Master firmou, no início de 2024, contrato de R$ 131 milhões em três anos com o escritório Barci de Moraes, do qual a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, é sócia. Os metadados da minuta encontrada no aparelho do banqueiro indicam que a última edição partiu de um usuário identificado como Ministro Alexandre de Moraes. Em nota, a advogada afirmou que apenas consultou o marido, pela área de compliance, sobre eventuais impedimentos legais, e sustentou que ele jamais julgou causa envolvendo o banco. O relatório menciona ainda uma segunda proposta, de cerca de R$ 50 milhões, que o escritório diz não ter sido aceita.
Toda a cobertura converge em dois limites do material. As mensagens foram escritas no bloco de notas do celular e enviadas como imagens de visualização única, de modo que as respostas do interlocutor não puderam ser recuperadas. E o documento, por si só, não demonstra que qualquer pedido do banqueiro tenha sido atendido.
A divergência aparece no enquadramento. A cobertura de centro concentrou-se na cronologia das mensagens, na reação institucional e no clima interno do tribunal, descrevendo uma sessão plenária em que nenhum ministro mencionou o assunto em público enquanto a segurança do prédio era reforçada, e registrando que o presidente da Corte, Edson Fachin, passou a ouvir os colegas separadamente antes de decidir o destino do pedido de apuração. Veículos de direita deram peso maior ao conjunto patrimonial e ao controle do Judiciário, destacando o valor do contrato, a proposta seguinte envolvendo cotas de aeronaves, a troca de celular e de número pelo ministro em fevereiro de 2026 e o fato de que uma investigação contra integrante do Supremo depende do aval do próprio tribunal. Veículos de esquerda não aparecem no conjunto de matérias reunido nesta reportagem, o que deixa um ponto cego; a leitura desse campo chega ao texto apenas de forma indireta, pelo registro de que parlamentares de PT, PCdoB, PSOL e Rede pediram à Procuradoria-Geral da República a avaliação da suspeição de André Mendonça na relatoria do caso.
O desdobramento institucional já está em curso. Paulo Gonet pediu a Mendonça que declare nula a decisão que autorizou a produção do relatório, sob o argumento de que o relator extrapolou suas atribuições na fase pré-processual e de que investigar ministro do Supremo exige deliberação do plenário. Mendonça sinalizou que levará a discussão ao colegiado. Alexandre de Moraes, por sua vez, enviou a Fachin relatórios de inteligência da Polícia Federal que apontam supostas irregularidades do colega na condução dos inquéritos, com menção a improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Ao fundo, as investigações sobre o Banco Master apuram fraudes estimadas em cerca de R$ 12 bilhões, ligadas à venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília.
O que ainda não se sabe é o essencial.
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