O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, acumulou cerca de 747 mil visualizações no YouTube nas quatro primeiras edições da sua “live de quinta”, o que corresponde a uma média aproximada de 187 mil por transmissão. O desempenho passou a ser avaliado de forma negativa por integrantes do entorno do senador, que veem dificuldade em reproduzir a ferramenta digital usada por Jair Bolsonaro durante o governo e na campanha de 2022. A escolha do dia da semana não foi casual: o formato é diretamente associado ao pai do candidato.
Os números por edição são convergentes em toda a cobertura. A estreia, em 23 de julho, chegou a 223 mil visualizações; a segunda transmissão teve 150 mil; a terceira, 205 mil; e a quarta, 169 mil. A contagem considera a audiência acumulada de cada vídeo, e não apenas quem acompanhou ao vivo. A edição mais recente registrava cerca de 8 mil visualizações uma hora após o fim da transmissão, marca inicial inferior à das anteriores, com espaço para crescer nos dias seguintes. O canal do senador avançou de cerca de 940 mil inscritos no fim de julho para 986 mil, ainda abaixo da meta de 1 milhão que ele próprio pediu aos espectadores na primeira live. Na transmissão mais recente, ao lado de Daniella Marques e do deputado Guilherme Derrite, o candidato dedicou boa parte do tempo às novas mensagens envolvendo Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e disse estar incomodado com ataques vindos de outros candidatos de direita.
A discussão sobre alcance se soma ao debate provocado pelo ato de lançamento da campanha em Copacabana, que reuniu cerca de 9 mil pessoas segundo o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap. A transmissão do evento alcançou cerca de 35 mil espectadores simultâneos, número citado por aliados para argumentar que a capacidade de mobilização do candidato não deve ser medida apenas pelo público presente. No dia seguinte à quinta live, o candidato manteve agenda de rua na Baixada Fluminense: discursou de carro de som em Nova Iguaçu ao lado do candidato a vice, Alfredo Gaspar, prometeu tratar Comando Vermelho, PCC e milícias como terroristas, defendeu pena mínima de oito anos para roubo de celular, disse que ampliará a proteção a mulheres vítimas de violência e afirmou que manterá o Bolsa Família. À tarde, participou de carreata em Duque de Caxias.
A cobertura diverge no enquadramento. Veículos de esquerda trataram o desempenho como fracasso e insistiram na imagem de um candidato que copia o método do pai sem herdar o poder de convocação, destacando a frustração de aliados e o esvaziamento da praça. A cobertura de centro concentrou-se na série numérica e nas ponderações do entorno do senador, registrando que Jair Bolsonaro disputava a reeleição como presidente quando suas transmissões alcançavam média em torno de 300 mil visualizações, e que a live de 27 de outubro de 2022, dois dias antes do segundo turno, acumula cerca de 922 mil. Essa mesma cobertura de centro também comparou os atos de rua pela metodologia da USP/Cebrap, que registrou aproximadamente 64 mil pessoas na Avenida Atlântica em setembro de 2022. Já veículos de direita não haviam dedicado cobertura própria ao tema no conjunto de matérias reunidas até aqui, o que deixa a leitura favorável ao candidato restrita às falas de aliados reproduzidas pelas demais fontes.
O que ainda não se sabe é se a curva de audiência se altera com o avanço da campanha, já que os vídeos seguem acumulando visualizações depois da estreia. Não há dado público que separe audiência ao vivo de visualizações acumuladas, não há comparação divulgada com o desempenho digital dos demais candidatos à Presidência em 2026, e nenhuma pesquisa citada mede o efeito eleitoral das transmissões. A campanha também não se manifestou oficialmente sobre os números, e as propostas de segurança pública anunciadas na Baixada Fluminense não vieram acompanhadas de detalhamento sobre como seriam implementadas.