A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou na noite desta terça-feira, 30 de junho de 2026, que deixa a presidência nacional do PL Mulher, cargo que ocupava desde 2023. A decisão foi comunicada após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, na sede da legenda, em Brasília. Em nota divulgada à imprensa, Michelle afirmou que tomou a decisão depois de refletir com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que passará a se dedicar integralmente aos cuidados dele, hoje em prisão domiciliar, e da filha do casal.
A cobertura de centro, de veículos como BBC News Brasil, Folha de S.Paulo, Poder360 e Correio Braziliense, relatou que a saída ocorre poucos dias depois de Michelle divulgar dois vídeos com críticas diretas ao enteado, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro. Nas gravações, a ex-primeira-dama afirmou ter sido 'humilhada', 'desrespeitada' e 'maltratada' por Flávio em uma ligação telefônica de novembro de 2025. O estopim do desentendimento, segundo essa cobertura, foi a divergência sobre a estratégia do PL no Ceará: Michelle se opôs à aproximação da legenda com Ciro Gomes e defendeu a candidatura da vereadora Priscila Costa ao Senado, o que desagradou os filhos de Bolsonaro.
Há pontos em que toda a imprensa converge. A saída foi confirmada em nota tanto por Michelle quanto por Valdemar Costa Neto. O presidente do PL minimizou as divergências, afirmou que a ex-primeira-dama 'passa por um momento difícil' e disse que ela decidiu concentrar suas atividades no cuidado do marido. Flávio Bolsonaro, por sua vez, publicou um texto pedindo desculpas e afirmando que em nenhum momento teve a intenção de ofender a madrasta. Também é consensual que o episódio impacta a pré-campanha presidencial de Flávio, especialmente junto ao eleitorado feminino e evangélico, onde o senador tem menor adesão.
As divergências de cobertura aparecem no enquadramento. Veículos de esquerda, como CartaCapital, Revista Fórum, Brasil 247, ICL Notícias e Diário do Centro do Mundo, enfatizaram que a saída agrava a crise interna do PL e retira de Flávio seu principal canal de diálogo com as mulheres, tratando o episódio como um problema estrutural da direita para 2026 e destacando ataques misóginos de aliados, como a fala de Paulo Figueiredo de que 'mulher vota muito mal'. Já veículos de direita, como Jovem Pan, Veja e Conexão Política, enfatizaram que a decisão foi vista 'com naturalidade' pela cúpula do partido, tratada como afastamento temporário e como gesto de Michelle para não disputar espaço com o enteado, reproduzindo o discurso de unidade de Valdemar contra o governo Lula.
O que ainda não se sabe é o desfecho da própria candidatura de Michelle ao Senado pelo Distrito Federal. Segundo relatos citados por Folha e Band, ela tem demonstrado desânimo e chegou a colocar a pré-candidatura 'à disposição', mas a direção do PL afirma que segue tratando-a como pré-candidata. Também permanece em aberto se o afastamento será, de fato, temporário, e como ficará a relação entre a ex-primeira-dama e os filhos de Bolsonaro nos próximos meses da disputa eleitoral.