A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) renunciou à presidência do PL Mulher em reunião com o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, na terça-feira. A decisão veio depois de um atrito público com o senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e reacendeu a dúvida sobre o futuro de sua pré-candidatura ao Senado pelo Distrito Federal nas eleições de outubro de 2026.
O ponto em que todas as coberturas convergem é o fato central: Michelle deixou o comando da ala feminina do PL, e o gesto veio logo após ela publicar vídeos no Instagram nos quais relatou ter sido tratada com hostilidade pelos enteados. Segundo a própria ex-primeira-dama, Flávio foi 'muito ríspido' em uma conversa por telefone e a teria desrespeitado ao cobrar seu envolvimento na campanha presidencial do senador. Michelle também deixou claro que não concorda com a aproximação do PL ao ex-governador Ciro Gomes no Ceará. Na versão oficial, a saída se deve à necessidade de cuidar do marido, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar e tem problemas de saúde.
É na leitura do que isso significa que as coberturas se separam. Veículos de esquerda destacaram que o próprio presidente do PL já recuou do apoio à candidata: à coluna Radar, Valdemar afirmou que 'ainda vejo chances' de Michelle concorrer, 'mas ela vai rever com o marido; muita coisa mudou, não está garantido'. Sob esse prisma, o episódio escancara um racha na família Bolsonaro e uma disputa de poder no campo da direita, agravada pela prisão de Jair Bolsonaro. O título dessa cobertura chega a afirmar que Valdemar 'já abandona' Michelle, embora a fala citada seja mais reticente do que categórica.
Já veículos de direita enfatizaram a versão de continuidade e coesão. A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que 'não há nenhum tipo de renúncia de candidatura' e que Michelle segue como pré-candidata ao Senado, tendo apenas deixado a liderança do PL Mulher em acordo com o marido. Celina sustentou que 'a direita está unida' e minimizou o atrito com Flávio, classificando-o como 'um momento de desabafo'. A senadora Damares Alves e a deputada Júlia Zanatta reforçaram o apelo para que a ex-primeira-dama permaneça na política, valorizando a presença feminina na disputa.
A cobertura de centro relatou os dois lados em paridade: de um lado a fala de Valdemar de que a candidatura 'não está garantida'; de outro a garantia da governadora do DF de que Michelle permanece na corrida. O pano de fundo comum é a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto e as articulações do PL em estados como o Ceará.
O que ainda não se sabe é o essencial: se Michelle será de fato candidata ao Senado pelo DF. A decisão foi condicionada por Valdemar a uma conversa com Jair Bolsonaro, e não há definição pública sobre o resultado dessa conversa nem sobre o desfecho do atrito com Flávio. Também permanece em aberto como ficará o comando do PL Mulher após a saída da ex-primeira-dama.