A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou de seguir nas redes sociais os enteados Eduardo, Carlos e Jair Renan Bolsonaro, mantendo apenas o senador Flávio Bolsonaro entre os filhos do ex-presidente. O gesto, registrado no Instagram e confirmado por veículos de todo o espectro político, é mais um capítulo de uma crise pública dentro do clã que mistura disputa familiar e cálculo eleitoral para 2026.
A cobertura de centro relatou que o estopim foi um vídeo publicado por Michelle na semana anterior, em que ela afirmou ter sido humilhada, desrespeitada e maltratada por Flávio durante uma ligação telefônica sobre as articulações do PL na eleição do Ceará. Segundo seu relato, o senador teria dito que ela deveria ficar fora das decisões do partido por não entender de política. A origem da divergência está na aliança do PL com o grupo de Ciro Gomes no Ceará, político a quem Michelle atribui responsabilidade pela inelegibilidade de seu marido. Após a repercussão, Flávio pediu desculpas públicas, classificou o episódio como página virada e afirmou que todas as suas decisões têm o respaldo de Jair Bolsonaro.
Veículos de centro acrescentaram um dado concreto sobre os bastidores: o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, marcou reunião com Michelle em Brasília para acalmar os ânimos e preservar a unidade do partido. No pano de fundo está uma disputa sobre quem herda o capital político de Jair Bolsonaro para a corrida presidencial, com Flávio sinalizando que pretende ter uma mulher como vice na chapa para conter o desgaste com o eleitorado feminino.
É nesse ponto que a cobertura diverge. Veículos de esquerda enfatizaram que o episódio escancara uma cisão sem precedentes no alto escalão do bolsonarismo e enquadraram a crise como caso de misoginia. Segundo essa cobertura, Michelle virou alvo de uma rede digital de extrema direita, com falas abertamente machistas como as do blogueiro Paulo Figueiredo, que afirmou que mulheres votam mal, e relataram que Eduardo Bolsonaro teria mobilizado influenciadores para atacar a madrasta e pressionar nomes indecisos, como a senadora Damares Alves.
Veículos de direita, por outro lado, enfatizaram o esforço de apaziguamento de Flávio e deram destaque ao gesto de Michelle de publicar um versículo de Salmos e afirmar que não sente raiva de ninguém. Nessa cobertura, aliados sustentam que o senador respondeu com empatia e humildade, atitude descrita como de liderança madura, e que a divergência faz parte de uma disputa legítima sobre os rumos da direita rumo a 2026.
O que ainda não se sabe é se a reunião de Valdemar com Michelle terá efeito prático sobre a trégua, qual será a configuração final da chapa de Flávio e até que ponto a fratura familiar afetará a unidade do PL e o desempenho do pré-candidato entre as eleitoras nas pesquisas que vierem.