Estrangeiros somam 42% dos pedidos de terras raras à Agência Nacional de Mineração
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O avanço do capital estrangeiro sobre as terras raras brasileiras repete, segundo a leitura de veículos de esquerda, o padrão histórico de exportação de matéria-prima sem contrapartida tecnológica. Empresas de fora controlam 42% dos pedidos e 31 dos 45 projetos mais avançados, enquanto a venda da Serra Verde à USA Rare Earth, companhia com o governo dos Estados Unidos entre os acionistas, transferiu ao exterior a única produção comercial do país. O acordo posterior com a francesa Carester coloca o Brasil como fornecedor de minério e mantém o processamento fora daqui. O risco socioambiental é tratado como central: um quarto dos requerimentos toca terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação, e até 283 áreas protegidas podem ser afetadas.
Empresas sediadas no exterior ou subsidiárias delas respondem por 42% dos pedidos de exploração de terras raras no Brasil registrados na Agência Nacional de Mineração, apesar de representarem apenas 12% dos titulares de requerimentos.
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25% dos requerimentos se sobrepõem ou ficam a até 10 quilômetros de unidades de conservação e territórios de comunidades tradicionais, com até 283 áreas protegidas potencialmente afetadas. A Serra Verde, em Goiás, única produtora comercial do país, passou ao controle da USA Rare Earth por cerca de 2,8 bilhões de dólares, e o processamento seguirá no exterior.
A cobertura de esquerda organiza o levantamento em torno de soberania e risco socioambiental, destacando a falta de transferência de tecnologia e a sobreposição a terras indígenas e unidades de conservação. A cobertura de centro fica no dado agregado, sem o recorte territorial. Veículos de direita não trataram do tema, o que deixa fora da cobertura o argumento de que o capital estrangeiro é o que viabiliza jazidas de baixa taxa de sucesso.
As duas coberturas partem do mesmo dado primário: empresas sediadas fora do Brasil ou subsidiárias delas concentram 42% dos pedidos de exploração de terras raras registrados na Agência Nacional de Mineração, com predomínio de capital da Austrália, dos Estados Unidos e do Canadá, e forte aceleração dos requerimentos desde 2023.
Quantos dos 2.727 requerimentos viraram autorização efetiva, e quantos foram indeferidos por sobreposição territorial. Se o governo brasileiro vai exigir contrapartida de industrialização local para novas licenças. Como o regulador pretende fiscalizar projetos próximos a áreas protegidas diante do volume recorde de pedidos.
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, e o capital que corre atrás dela vem em grande parte de fora. Dados da Agência Nacional de Mineração mostram que empresas estrangeiras ou subsidiárias respondem por 42% dos pedidos de exploração, controlam a maioria dos projetos mais avançados e concentram requerimentos perto de terras indígenas e unidades de conservação.
Empresas sediadas fora do Brasil, ou subsidiárias delas, respondem por 42% dos pedidos de exploração de terras raras protocolados na Agência Nacional de Mineração, embora representem apenas 12% dos titulares de requerimentos. O dado vem de um levantamento sobre processos minerários em que as terras raras aparecem como substância principal. Dos 2.727 requerimentos apresentados até junho de 2026, 86% foram protocolados de 2023 em diante, e o grupo ligado a capital estrangeiro controla 31 dos 45 processos mais avançados, já em operação ou em pré-operação comercial.
Terras raras reúnem 17 elementos químicos usados em ímãs de alta potência, veículos elétricos, eletrônicos, equipamentos médicos e indústria de defesa. O Brasil tem a segunda maior reserva do mundo. Entre os investidores estrangeiros, as mineradoras australianas lideram com 695 requerimentos, dos quais 217 pertencem à Borborema Recursos Minerais, subsidiária da Brazilian Rare Earths, com sede em Sydney. As empresas dos Estados Unidos vêm em seguida, com 347 pedidos, e 181 deles estão com a Alpha Minerals Brazil, incorporada pela Rare Earth Americas, sediada no Texas e originalmente constituída nas Ilhas Cayman. A canadense Aclara Resources também aparece entre as maiores requerentes.
A aceleração tem data e causa apontadas na cobertura: a China, que domina extração, processamento e produção de ímãs, restringiu as exportações de terras raras aos Estados Unidos em resposta às tarifas do governo Donald Trump, e os norte-americanos passaram a buscar fornecimento alternativo. O caso mais visível é o da Serra Verde, instalada em Goiás e única produtora comercial do país, capaz de fornecer os quatro elementos magnéticos considerados críticos. A empresa recebeu 565 milhões de dólares do banco de desenvolvimento do governo norte-americano e depois foi comprada por cerca de 2,8 bilhões de dólares pela USA Rare Earth, companhia que tem o governo dos Estados Unidos como acionista minoritário. Em seguida, a compradora adquiriu participação na francesa Carester, especializada em separação e processamento, num arranjo em que a Serra Verde entra como fornecedora de matéria-prima.
Os veículos de esquerda que publicaram o levantamento enfatizaram dois pontos: a ausência de menção a transferência de tecnologia ao Brasil nos comunicados das empresas, o que contraria a prioridade declarada do governo brasileiro por projetos que desenvolvam capacidade industrial nacional, e o risco socioambiental. Um quarto dos requerimentos se sobrepõe a unidades de conservação ou a territórios de comunidades tradicionais, ou está a até 10 quilômetros deles, distância em que especialistas afirmam haver dano possível. Um projeto de jornalismo de dados citado na apuração calcula que até 283 áreas protegidas, entre terras indígenas, territórios quilombolas e unidades de conservação, podem ser atingidas.
A cobertura de centro reproduziu o dado central de forma resumida, sem o recorte territorial: registrou os 42% dos pedidos, a origem australiana, norte-americana e canadense do capital e a metodologia baseada em registros públicos. Veículos de direita não publicaram o levantamento até o momento, o que deixa sem contraponto na cobertura o argumento de que o capital externo é o que viabiliza jazidas caras e de baixa taxa de sucesso. Esse argumento aparece dentro da própria apuração, pela voz do Instituto Brasileiro de Mineração: de cada mil ocorrências potenciais, cem justificam sondagem e apenas duas viram projetos bons, o que exige investidor disposto a assumir prejuízo.
O que ainda não se sabe é quanto desses requerimentos vira licença. O levantamento mede pedidos protocolados, não autorizações concedidas, e não há detalhamento público sobre quantos processos foram indeferidos por sobreposição territorial. Também segue indefinido se o governo brasileiro vai condicionar novas autorizações a contrapartidas de industrialização local, e não há manifestação do regulador sobre como pretende fiscalizar projetos próximos a áreas protegidas diante do volume recorde de pedidos.
Empresas de fora concentram 42% dos pedidos de exploração de terras raras no Brasil, segundo base da ANM analisada por Repórter Brasil e AP

Mineradoras sediadas fora do Brasil respondem por 42% dos pedidos de exploração de terras raras no país, segundo dados da Agência Nacional de Mineração analisados por Repórter Brasil e Associated Press. Empresas de Austrália, Estados Unidos e Canadá têm maior presença
