A Petrobras anunciou na segunda-feira, 17 de agosto de 2026, a descoberta de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, em águas profundas da Bacia da Foz do Amazonas, a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá e a aproximadamente 500 quilômetros da foz do rio Amazonas. A presidente da estatal, Magda Chambriard, informou que a perfuração já atravessou cerca de 3 mil metros de lâmina d'água e outros 3 mil metros de rocha, e que faltam aproximadamente mil metros até o fundo do poço. A conclusão está prevista para 15 a 20 dias. A empresa é operadora do bloco e detém 100% da área, adquirida em 2013 na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
No mesmo dia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou o navio-sonda ODN II, em Oiapoque, acompanhado da presidente da Petrobras e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Lula afirmou que a Margem Equatorial é um passaporte para o futuro do país e que o que está em jogo são interesses do Brasil e da Petrobras, ao mesmo tempo em que sustentou que a exploração não altera os investimentos brasileiros em biocombustíveis e em outras fontes renováveis de energia.
Toda a cobertura registrou os mesmos limites técnicos do anúncio: encontrar hidrocarbonetos em um poço exploratório não confirma reserva comercialmente explorável. Concluída a perfuração, a Petrobras precisará delimitar a descoberta, avaliar o volume e as características do reservatório e, em caso de declaração de comercialidade, apresentar um Plano de Desenvolvimento à Agência Nacional do Petróleo em até 180 dias, além de obter novo licenciamento ambiental. A autorização atual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis cobre apenas a fase exploratória. A campanha na região consumiu US$ 3 bilhões desde agosto de 2025 e custa cerca de US$ 1 milhão por dia.
Veículos de esquerda destacaram o caráter estatal e estratégico da descoberta, o discurso de recomposição das reservas nacionais e a insistência do governo em conciliar o petróleo com a transição energética, reproduzindo a fala presidencial de que o país seguirá investindo em combustíveis renováveis. Nessa cobertura, a distância de 500 quilômetros entre o poço e a foz do rio Amazonas aparece como argumento de segurança ambiental, e o licenciamento em curso, como prova de que a operação segue rito federal.
A cobertura de centro tratou o achado como passo inicial promissor e cobrou celeridade do órgão ambiental na concessão de licenças para pesquisa em novos poços, sem afirmar que a viabilidade comercial esteja demonstrada.
Veículos de direita concentraram-se em dinheiro e em prazos. Parte dessa cobertura detalhou o custo diário da operação, os US$ 300 milhões já gastos no poço Morpho e a espera por autorizações para perfurar outros três poços no mesmo bloco, citando ainda os 32 blocos que a estatal tem na Margem Equatorial. Outra parte quantificou o potencial econômico com base em estudo da Confederação Nacional da Indústria: até R$ 175 bilhões adicionais ao produto interno bruto, 495 mil empregos formais e cerca de R$ 11,2 bilhões em impostos indiretos, além de royalties simulados entre R$ 2,283 bilhões e R$ 6,850 bilhões por bloco, conforme a alíquota. A Agência Nacional do Petróleo estima potencial de 30 bilhões de barris na região. Há também nessa cobertura leitura política do anúncio, com o registro de que o governo busca separar a exploração da área ambientalmente sensível da foz do Amazonas e de que Lula disse ter segurado a divulgação antes da conferência do clima da ONU em Belém, em novembro de 2025, por receio da reação de países europeus.
O que ainda não se sabe é o essencial. Não há estimativa de volume do petróleo encontrado, de qualidade do óleo, de tamanho do reservatório nem de viabilidade comercial da área. As amostras seguirão para o centro de pesquisas da estatal no Rio de Janeiro, com transporte estimado em quatro dias, e só depois haverá análise detalhada. Também não há data para a decisão do órgão ambiental sobre as novas licenças, e a cobertura diverge sobre quando a produção do pré-sal atinge o pico: as estimativas citadas variam entre 2030 e 2035, o que muda a urgência atribuída à reposição de reservas.