Minerais críticos do Brasil atraem US$ 21,3 bilhões sob disputa por soberania
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A corrida por minerais críticos coloca o subsolo brasileiro no centro de uma disputa de soberania, e não apenas de política econômica. A venda da Mineração Serra Verde a uma corporação americana, depois de 565 milhões de dólares de financiamento da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos e de contrato de quinze anos com preços mínimos garantidos ao comprador, inscreve o cerrado goiano na estratégia de segurança mineral de Washington. Enquanto isso, as terras raras geraram apenas 1,89 milhão de reais em Compensação Financeira pela Exploração Mineral em 2025, 0,82% da arrecadação minerária de Goiás. No Vale do Jequitinhonha, a mineradora de lítio recebeu outorga da Agência Nacional de Águas para captar 3,6 milhões de litros por dia numa região semiárida onde famílias vivem com 30 a 50 litros diários por pessoa.
O Instituto Brasileiro de Mineração projeta que o Brasil atraia 21,3 bilhões de dólares em investimentos para minerais críticos até 2030. O país tem cerca de 10% das reservas globais provadas do grupo, lidera em nióbio, é o segundo em terras raras e grafita e o terceiro em níquel.
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As duas coberturas concordam que o Brasil tem reservas de escala global em nióbio, terras raras, grafita e níquel, que o beneficiamento e o refino são o elo frágil da cadeia nacional e que a disputa se concentra no cerrado goiano e no Vale do Jequitinhonha. Também convergem em que a demanda mundial por esses minerais cresce puxada por transição energética, defesa e data centers.
O Brasil deve atrair 21,3 bilhões de dólares em investimentos para minerais críticos até 2030, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração. Ao mesmo tempo, a venda de uma mina de terras raras em Goiás a uma corporação americana e o conflito pela água no Vale do Jequitinhonha colocam em disputa quem controla essa riqueza e quanto dela fica no país.
O Instituto Brasileiro de Mineração projeta que o Brasil atraia 21,3 bilhões de dólares em investimentos para a exploração de minerais críticos até 2030, o grupo de elementos que inclui cobre, silício, lítio, níquel, grafita, nióbio e terras raras. Segundo o instituto, o país concentra cerca de 10% das reservas globais provadas desse conjunto: é o primeiro do mundo em nióbio, o segundo em terras raras e grafita e o terceiro em níquel. A Agência Internacional de Energia calcula que a demanda mundial por lítio pode crescer 42 vezes até 2040.
A cobertura de centro relatou o quadro a partir das projeções do setor e de consultorias. Apenas 27% do território brasileiro foi adequadamente mapeado do ponto de vista mineral, o que sugere potencial maior do que o conhecido. Do outro lado da equação, a oferta não acompanha a demanda: colocar uma nova mina em produção pode levar duas décadas entre descoberta, estudos, licenciamento, construção e operação, e o refino permanece concentrado na China. Empresas já se mexem. A Sigma planeja triplicar a produção de óxido de lítio, e a Vale Base Metals prevê quase dobrar a produção de cobre, para cerca de 700 mil toneladas anuais até 2035, com a nova mina de Bacaba em Canaã dos Carajás, no Pará. Estudos citados estimam que os minerais críticos poderiam injetar 192 bilhões de reais no Produto Interno Bruto e gerar 750 mil empregos até 2050.
Veículos de esquerda destacaram o que essa contabilidade deixa de fora. Em abril de 2026 tornou-se pública a compra da Mineração Serra Verde, em Minaçu, no norte de Goiás, por uma corporação americana de terras raras, em negócio de 2,8 bilhões de dólares. A operação é a única extração comercial de terras raras fora da Ásia. Meses antes, a empresa havia recebido 565 milhões de dólares da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos e firmado contrato de quinze anos para fornecer óxidos de disprósio e térbio ao mercado americano com preços mínimos garantidos ao comprador. Nessa leitura, o subsolo brasileiro deixou de ser tema de política econômica para virar tema de soberania. Os números que ficam no território são de outra grandeza: dados da Agência Nacional de Mineração mostram que as terras raras geraram 1,89 milhão de reais em Compensação Financeira pela Exploração Mineral em 2025, o equivalente a 0,82% da arrecadação minerária de Goiás. No Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, a mineradora canadense que opera o complexo Grota do Cirilo obteve outorga da Agência Nacional de Águas para captar 3,6 milhões de litros por dia numa região semiárida em que famílias rurais vivem com 30 a 50 litros diários por pessoa. O Movimento dos Atingidos por Barragens calcula que esse volume abasteceria 34 mil famílias, e o Cemaden aponta que o vale concentra 18 das 20 cidades que mais aqueceram no Brasil em 2023.
Até aqui nenhum veículo de direita cobriu o caso, e por isso não há framing desse campo a reportar. A leitura provável seria de que o entrave está dentro de casa: mapeamento insuficiente, licenciamento longo e insegurança regulatória adiam projetos, enquanto contratos de longo prazo e financiamento internacional viabilizam operações de risco alto.
Os dois lados que cobriram convergem em pontos importantes. Ambos reconhecem a escala das reservas brasileiras, apontam o refino e o beneficiamento como o elo frágil da cadeia nacional e identificam o Vale do Jequitinhonha e o cerrado goiano como o centro geográfico da disputa. A divergência é sobre quem deve comandar o processo e a que preço. Uma cobertura mede o sucesso pelo volume de investimento atraído e pelos empregos projetados; a outra mede pelo que sobra no território em água, arrecadação e capacidade industrial.
O que ainda não se sabe é considerável. Não está detalhado o conteúdo final nem o cronograma de regulamentação da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos aprovada pela Câmara dos Deputados, tampouco se ela exigirá contrapartidas de refino em solo brasileiro. Não há resposta pública das empresas citadas às denúncias sobre uso de água no semiárido mineiro, nem estimativa oficial de quanto da receita dos novos projetos ficará com estados e municípios produtores.
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Elementos como cobre, silício, lítio e terras raras passaram a ser disputados por novas cadeias produtivas
