A série de entrevistas individuais com os candidatos à Presidência da República começou em 24 de agosto de 2026 e é transmitida ao vivo, logo após o principal telejornal noturno do país, com início marcado para 20h05. Romeu Zema, do Novo, abriu a rodada na segunda-feira. Ronaldo Caiado, do PSD, foi o segundo entrevistado, na terça-feira, 25. Renan Santos, do Missão, respondeu às perguntas na quarta-feira, 26. Os três disputam espaço no chamado segundo pelotão da corrida presidencial, atrás de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, e de Flávio Bolsonaro, do PL, nas pesquisas de intenção de voto.
O formato e o critério de convite são o ponto em que toda a cobertura converge. Foram chamados para entrevista individual os seis candidatos mais bem posicionados na pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto de 2026, embora o Tribunal Superior Eleitoral tenha confirmado o registro de 13 candidaturas à Presidência. A ordem de participação foi definida por sorteio, com representantes dos partidos presentes. As entrevistas seguem até 29 de agosto, com Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury, do Avante, fechando a sequência.
Na primeira entrevista, Zema foi cobrado logo de saída sobre a dívida pública de Minas Gerais no período em que governou o estado, entre 2019 e março de 2026. Dados oficiais do Portal da Dívida Pública Estadual, mantido pela Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais, mostram que os desembolsos com o pagamento da dívida passaram de cerca de R$ 300 milhões por ano, entre 2019 e 2021, para R$ 5,5 bilhões em 2022 e R$ 6,8 bilhões em 2025. O candidato atribuiu o crescimento a decisões tomadas antes de sua gestão e a fatores ligados ao governo federal, sem detalhar como evitaria cenário semelhante nas contas da União. Zema também defendeu que a vacinação contra doenças graves seja escolha individual do cidadão, e não política obrigatória, e citou o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, como referência para sua política de segurança, afirmando se inspirar no modelo de encarceramento em massa adotado no país centro-americano.
No dia seguinte, Caiado abriu a entrevista descrevendo o Brasil como dominado por facções criminosas e citando 60 milhões de brasileiros 'escravizados' pelo narcotráfico, número apresentado sem fonte oficial. Sua principal proposta na área foi a criação de uma força policial permanente e integrada entre o Brasil e os dez países sul-americanos que fazem fronteira com o território nacional, para combater o tráfico de drogas e o contrabando de armas. Ao citar a Europol como modelo, disse que o órgão europeu teria poder de prender; na prática, a Europol atua apenas na cooperação policial e no compartilhamento de dados entre países da União Europeia, sem competência para efetuar prisões. Caiado defendeu ainda enviar ao Congresso Nacional um projeto de anistia ampla e irrestrita aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Sobre economia, evitou detalhar como equilibraria as contas: perguntado três vezes sobre eventual mudança na idade mínima de aposentadoria, respondeu que seu plano de governo traz apenas metas e parâmetros gerais, sem indicar quais despesas cortaria, e afirmou que não pretende alterar os pisos constitucionais de saúde e educação nem o valor do salário mínimo.
A cobertura de centro tratou a série sobretudo como serviço, informando horário, calendário das entrevistas e o perfil de cada uma das treze chapas registradas, sem julgar as respostas. Veículos de perfil à direita foram os que fizeram a checagem das propostas, contrapondo os números da dívida mineira à explicação do candidato, apontando a ausência de fonte para o dado dos 60 milhões e corrigindo a descrição do mandato da Europol, com ênfase no vazio das respostas fiscais dos dois ex-governadores. Até o momento, nenhum veículo de esquerda havia publicado análise das sabatinas no material reunido, de modo que o ângulo mais associado a esse campo, o efeito da vacinação facultativa sobre a saúde pública e o custo social da anistia ao 8 de Janeiro, permanece sem cobertura própria.
Continua sem resposta o essencial: nenhum dos dois candidatos disse qual despesa cortaria para equilibrar o Orçamento, nem qual seria a base legal e o custo de uma força policial regional com dez países. Também não há informação sobre o apoio que uma anistia ampla teria no Congresso, nem medição de como as entrevistas afetaram a intenção de voto.