Os candidatos à Presidência da República cumpriram agendas de campanha na quarta-feira, 26 de agosto de 2026, em um roteiro que passou por São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Alagoas e Brasília. O dia reuniu sabatinas transmitidas ao vivo, entrevistas a rádios locais, visitas a hospital e a santuário, caminhada em mercado municipal, panfletagem em bairro de baixa renda, motociata e almoço com empresários. Luiz Inácio Lula da Silva, que concorre à reeleição, e Edmilson Costa, do PCB, não tiveram compromisso de campanha.
A cobertura de centro registrou a agenda em formato de serviço, com horários e locais de cada candidatura. Foi por ela que se soube que Lula despachou no Palácio do Alvorada, com reunião com ministros e com o Advogado-Geral da União, Jorge Messias, às 9h, e encontro com o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, às 10h. Essa mesma cobertura anotou que seis candidaturas não haviam divulgado agenda até o fechamento da matéria, entre elas as de Hertz Dias, Rui Costa Pimenta, Samara Martins e Clariana Brandão.
Veículos de esquerda foram além do horário e detalharam o conteúdo das falas. Hertz Dias, do PSTU, defendeu a reestatização de empresas como a Vale do Rio Doce e afirmou que o país exporta minério, soja e petróleo bruto enquanto importa máquinas e tecnologia, o que, segundo ele, significa menos empregos qualificados e mais dependência econômica. Samara Martins, da Unidade Popular pelo Socialismo, participou de sabatina no Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Alagoas e fez caminhada na comunidade do Vergel, em Maceió. Clariana Brandão, do DC, criticou a ausência de mulheres nos debates políticos e prometeu criar centros integrados de atendimento a vítimas de violência doméstica.
No campo oposto do espectro, Romeu Zema, do Novo, fez campanha em Minas Gerais, estado que governou por dois mandatos, visitou o Hospital Regional de Teófilo Otoni e reafirmou a defesa de privatizações, a prioridade ao atendimento primário em saúde e um novo pacto federativo que deixe os recursos nas prefeituras. Ronaldo Caiado, do PSD, participou de sabatina no Rio de Janeiro e prometeu levar a todas as regiões do país a estratégia de combate a facções e milícias adotada em Goiás, defendendo o uso de inteligência e gestão eficiente. Augusto Cury, do Avante, associou responsabilidade fiscal à queda dos juros em Montes Claros, e Flávio Bolsonaro, do PL, fez motociata em Arapiraca e se reuniu com empresários do Agreste e do Sertão alagoanos.
Veículos de direita não registraram a agenda daquele dia no material reunido nesta reportagem, de modo que as propostas de privatização, de responsabilidade fiscal e de enfrentamento ao crime organizado chegaram ao leitor pela cobertura de centro e por veículos de esquerda, sem enquadramento próprio da direita.
As duas coberturas divergem em um ponto factual. Enquanto uma delas afirma que Lula não teve agenda de campanha, a outra descreve em detalhe seus compromissos oficiais no Palácio do Alvorada, o que reforça a diferença entre agenda de governo e agenda eleitoral em ano de reeleição. Também há divergência na grafia do sobrenome de uma das candidatas do DC, registrada de duas formas distintas.
O que ainda não se sabe é por que Lula e Edmilson Costa ficaram fora da campanha naquele dia, se as candidaturas que não divulgaram agenda tiveram compromissos não informados, e qual a eficácia real da política de segurança de Goiás que Ronaldo Caiado promete nacionalizar, já que nenhuma das coberturas apresenta indicadores ou contraponto de especialistas. Também não há informação sobre as próximas sabatinas e debates do calendário eleitoral.