O instituto Real Time Big Data divulgou em 18 de agosto de 2026 uma pesquisa eleitoral no Paraná que coloca o senador Sergio Moro, do PL, na liderança da disputa pelo governo do estado, com 37% das intenções de voto. O deputado federal Sandro Alex, do PSD, aparece com 22%, e Requião Filho, do PDT, com 20%, diferença que fica dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Luiz França, do Missão, tem 2%, outros candidatos somam 1%, brancos e nulos representam 6% e 12% dos entrevistados não sabem ou não responderam.
Nos cenários de segundo turno testados, Moro vence as duas simulações em que aparece: tem 55% contra 27% de Requião Filho e 45% contra 30% de Sandro Alex. Num cenário sem o senador, Sandro Alex registra 33% e Requião Filho, 30%, empate técnico dentro da margem de erro. O mesmo levantamento mediu a corrida pelas duas vagas do estado no Senado. Deltan Dallagnol, do Novo, tem 19%, empatado tecnicamente com Alexandre Curi, do Republicanos, e Filipe Barros, do PL, ambos com 17%, e com Gleisi Hoffmann, do PT, com 15%. Cristina Graeml, do PSD, aparece com 13% e Dr. Rosinha, do PT, com 5%.
Os três veículos que publicaram os dados convergem na metodologia: 1.600 entrevistas feitas no Paraná entre 13 e 17 de agosto de 2026, margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo PR-09262/2026. A cobertura de centro concentrou-se na corrida pelo governo estadual e reproduziu os percentuais sem interpretação, tratando o resultado como fotografia do momento.
As diferenças aparecem na escolha do recorte e do contexto. Um dos veículos de centro acrescentou dados que os demais não destacaram, como a rejeição dos principais nomes, em que Requião Filho lidera com 41% e Moro tem 38%, e a avaliação da gestão do governador Ratinho Júnior, do PSD, aprovada por 80% dos entrevistados e desaprovada por 18%. Esse mesmo veículo informou que o estudo custou 24 mil reais e foi pago com recursos próprios. A cobertura de direita optou por tratar a disputa pelo Senado em matéria separada, com destaque para o desempenho de Deltan Dallagnol e de Filipe Barros, e anexou uma nota editorial que relembra as discrepâncias entre pesquisas e resultado das urnas em 2022 e ressalta que os números influenciam decisões de partidos, de lideranças e o humor do mercado financeiro. Essa mesma matéria registra que o levantamento foi contratado pela Real Time Mídia, informação que não coincide com a versão de financiamento próprio publicada pela cobertura de centro, sem que nenhuma das duas explique a diferença. Nenhum veículo de esquerda cobriu o levantamento no conjunto analisado, o que deixa sem contraponto tanto a leitura sobre a alta rejeição do senador líder quanto o desempenho de Gleisi Hoffmann e de Dr. Rosinha, os dois nomes do PT entre os candidatos ao Senado.
O que ainda não se sabe começa pela contradição sobre quem pagou a pesquisa, ponto que nenhuma das matérias esclarece. Também não há informação sobre o método de coleta das entrevistas, se presencial, telefônico ou digital, dado que costuma pesar na comparação entre institutos. Não há registro de reação de candidatos, partidos ou do governo estadual aos números, nem levantamento de outro instituto que confirme ou contrarie o quadro no mesmo período. Por fim, o próprio desenho da pesquisa deixa em aberto uma hipótese que a cobertura não desenvolve: um dos cenários testados simula a disputa sem Sergio Moro, e nenhum dos textos explica por que essa possibilidade foi medida.