Lancet Countdown liga clima a 3 milhões de mortes por calor e pede emergência
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Resumo da cobertura
Como cada lado cobriu
3 fontes políticas
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A décima edição do relatório Lancet Countdown sobre Saúde e Mudanças Climáticas, publicada em 28 de outubro na revista médica The Lancet às vésperas da COP31, na Turquia, pede que a crise climática seja declarada emergência sanitária global. Os 146 pesquisadores de mais de 30 países estimam quase 3 milhões de mortes por calor atribuíveis ao clima entre 2016 e 2023 e propõem um instrumento da Organização Mundial da Saúde para coordenar a resposta.
Pelo prisma da eficiência econômica, o relatório Lancet Countdown destaca o custo do calor para a produtividade e o mercado já migrando para a energia limpa, que recebe 82% mais investimento que os fósseis. A proposta de uma nova estrutura de coordenação global sob a Organização Mundial da Saúde levanta a questão de quem paga e de como medir resultados.
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Nesta matéria: perspectiva omitida.
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A décima edição do relatório Lancet Countdown, publicada em 28 de outubro, pede que a crise climática seja declarada emergência sanitária global. Os pesquisadores atribuem ao clima quase 3 milhões de mortes por calor entre 2016 e 2023, calculam perda de US$ 1,07 trilhão em renda em 2025 e propõem um instrumento da Organização Mundial da Saúde para coordenar a resposta.
Um grupo de 146 pesquisadores de mais de 30 países pediu que as mudanças climáticas sejam declaradas uma emergência sanitária global. O apelo está na décima edição do relatório Lancet Countdown sobre Saúde e Mudanças Climáticas, publicada em 28 de outubro na revista médica britânica The Lancet, às vésperas da COP31, a conferência do clima das Nações Unidas marcada para 9 a 20 de novembro em Antalya, na Turquia.
Segundo o relatório, as mudanças climáticas causaram quase 3 milhões de mortes relacionadas ao calor entre 2016 e 2023. Só em 2023, o calor esteve associado a um recorde de 710 mil mortes no mundo. A parcela atribuída ao clima subiu de 55% na década anterior ao Acordo de Paris para 68% no período mais recente. O cálculo compara as mortes registradas com as que ocorreriam sem o aquecimento causado pela atividade humana, explicou Ollie Jay, da Universidade de Sydney.
Os danos econômicos também cresceram. Em 2025, a perda de capacidade de trabalho provocada pelo calor custou cerca de US$ 1,07 trilhão em renda potencial. Agricultura e construção concentraram a maior parte das perdas. O Sudeste Asiático perdeu o equivalente a 3,9% do Produto Interno Bruto, e a África, 3,2%, contra 0,2% na Europa. No mesmo ano, mais da metade das terras do planeta enfrentou seca extrema por pelo menos um mês.
O relatório reconhece avanços. O investimento em energia limpa chegou a US$ 2,1 trilhões em 2025, e a redução da poluição do ar em pelo menos 77 países evita cerca de 323 mil mortes por ano. Dos 194 Estados-membros da Organização Mundial da Saúde, 56 já têm plano para adaptar seus sistemas de saúde ao clima, contra 14 em 2015. Ainda assim, combustíveis fósseis fornecem mais de 80% da energia mundial, e os subsídios a eles dobraram desde 2016. Em 2024, dez países gastaram mais com esses subsídios do que com seus sistemas de saúde.
A proposta central é criar um instrumento da Organização Mundial da Saúde para coordenar a resposta entre países, compartilhar informações e distribuir recursos. Marina Romanello, diretora executiva do Lancet Countdown, disse que o objetivo é deixar de reagir a uma emergência após a outra e montar uma resposta de longo prazo. A ex-primeira-ministra da Nova Zelândia Helen Clark, que preside o conselho do projeto, afirmou que falta vontade política, não evidência.
A cobertura de centro concentrou praticamente todo o noticiário. Os três veículos que trataram do tema relataram os mesmos números e deram voz quase exclusiva aos autores do relatório. Um deles detalhou o peso econômico por setor e região e o contraste entre o investimento em energia limpa e em fósseis. Outro explicou a metodologia de atribuição das mortes e registrou o apoio da ONU Clima ao documento. Até o momento, veículos de esquerda e veículos de direita não publicaram cobertura própria sobre o relatório, de modo que não há enquadramento de nenhum dos dois lados a registrar.
Ainda não se sabe como os governos e a própria Organização Mundial da Saúde vão responder ao pedido, nem quanto custaria o novo instrumento proposto. Também está em aberto se o tema ganhará espaço na pauta da COP31. Os pesquisadores relataram ainda que dados sobre subsídios a combustíveis fósseis deixaram de ser divulgados pelas autoridades dos Estados Unidos, o que limita parte das estimativas.
Publicação anual da Lancet Countdown é apresentada antes da COP31 na Turquia e estima que calor extremo causou quase 3 milhões de mortes no mundo entre 2016 e 2023

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