A Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, informou na sexta-feira, 31 de julho de 2026, que a bandeira tarifária de agosto continuará amarela. Na prática, a conta de luz de todos os consumidores ligados ao Sistema Interligado Nacional segue com um acréscimo de cerca de R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora consumidos. É o quarto mês seguido com cobrança adicional.
A justificativa da agência é a mesma dos meses anteriores. Em nota, a Aneel afirmou que a sinalização reflete condições menos favoráveis de geração no país por causa do período seco, quando há redução nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas e é preciso acionar usinas termelétricas, que têm custo mais elevado. A definição da cor de cada mês parte das projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico, responsável por traçar a estratégia de geração e prever os custos a serem cobertos.
Todos os relatos convergem nos números. O sistema de bandeiras foi criado em 2015 e tem quatro faixas. Na verde não há acréscimo. Na amarela, o consumidor paga o adicional de R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora. Na vermelha em patamar 1, o valor sobe para R$ 4,46, e no patamar 2 chega a R$ 7,87 pela mesma medida de consumo. A bandeira amarela está em vigor desde maio deste ano; de janeiro a abril, a conta veio sem cobrança extra.
A cobertura de centro deu peso ao funcionamento do mecanismo e ao seu histórico. Registrou que a agência defende as bandeiras como instrumento de transparência, por permitirem ao consumidor acompanhar mês a mês as condições de geração e os custos associados, e lembrou um efeito menos visível do desenho: antes do modelo, as distribuidoras arcavam por meses com o custo da geração mais cara, repassado às contas só no reajuste anual, com incidência de juros.
Veículos de esquerda destacaram sobretudo a repetição da cobrança. O ângulo escolhido no título e na abertura foi o quarto mês consecutivo de acréscimo, deslocando a ênfase do mecanismo técnico para o efeito acumulado sobre quem paga a fatura. A dimensão distributiva aparece de forma implícita: como a bandeira incide igualmente sobre todos os consumidores do sistema interligado, o mesmo valor pesa mais no orçamento de quem ganha menos.
Não houve, neste conjunto de reportagens, cobertura de veículos de direita sobre o anúncio. A leitura desse campo tende a partir dos mesmos fatos por outro ângulo, o do sinal de preço: mostrar no mês corrente o custo do acionamento das térmicas é preferível a diluí-lo em subsídio ou empurrá-lo para um reajuste futuro, argumento que aparece de forma técnica na própria nota da agência quando ela fala em tornar mais transparente o custo real da energia.
O que ainda não se sabe é quanto tempo a cobrança vai durar. Nenhuma das reportagens traz previsão para setembro, nem informa o nível atual dos reservatórios, o volume de geração térmica acionada ou o custo total que a bandeira amarela pretende cobrir. Também não há, no material divulgado, qualquer medida específica de proteção para consumidores de baixa renda enquanto o acréscimo se mantém.