A bandeira tarifária permanecerá amarela em agosto, mantendo o acréscimo de R$ 1,88 a cada 100 quilowatts-hora consumidos nas contas de luz de todos os consumidores ligados ao Sistema Interligado Nacional. A decisão foi comunicada nesta sexta-feira pela Agência Nacional de Energia Elétrica e marca o quarto mês seguido nessa condição, depois de quatro meses de bandeira verde, sem cobrança extra, entre janeiro e abril.
Há convergência entre as diferentes coberturas sobre os fatos centrais. Todos os relatos registram o mesmo valor de acréscimo, a mesma justificativa técnica e o mesmo histórico do ano. Segundo a agência reguladora, a manutenção da bandeira reflete condições menos favoráveis de geração de energia por causa do período seco, quando os reservatórios das hidrelétricas ficam mais baixos e é preciso acionar usinas termelétricas, que têm custo mais elevado. O sistema de bandeiras, criado em 2015, existe para mostrar mês a mês o custo variável da produção de energia.
As ênfases da cobertura, porém, se distinguem. Veículos de esquerda destacaram o peso da conta mais cara sobre o orçamento das famílias, num quarto mês seguido de cobrança adicional, e a transferência ao consumidor do custo das térmicas mais caras. A cobertura de centro relatou a decisão de forma factual, recuperando o histórico do ano e explicando que o modelo dá transparência ao custo real e reduz os prejuízos que antes se acumulavam nas distribuidoras e só eram repassados depois, com juros. Veículos de direita enfatizariam esse mesmo mecanismo como um sinal de preço que torna visível o custo real da geração, estimula o consumo consciente e reforça a importância de investir na oferta de energia.
O que ainda não se sabe é por quanto tempo o período seco deve manter a pressão sobre os custos, qual a projeção da bandeira para setembro e para os meses seguintes, e qual o impacto médio no valor final da conta para cada faixa de consumo. Nenhuma das coberturas apresenta estimativa de quando a bandeira poderia voltar ao verde.