O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas e um dos principais líderes do Centrão, intensificou nas últimas semanas sua campanha pela reeleição ao Senado no Piauí enquanto enfrenta uma investigação da Polícia Federal. A apuração, ligada ao caso do Banco Master, busca esclarecer se o parlamentar recebeu pagamentos mensais recorrentes do empresário Daniel Vorcaro, além de outras vantagens, sob suspeita de troca de favores. Ciro Nogueira nega as acusações e afirma ser vítima de um "ataque fabricado".
A cobertura de centro relatou que o senador sofreu busca e apreensão durante operação da PF em 7 de maio. Pressionado, ele tem evitado contato com a imprensa e passou a consolidar os redutos que construiu no estado, principalmente entre prefeitos eleitos e lideranças regionais. Em um único dia neste mês, Ciro Nogueira visitou seis municípios. Para os próximos dez dias, planeja uma maratona de atividades no interior, com participação remota em sessões, presença em solenidades de inauguração e visitas a obras, em busca de apoios políticos.
No plano local, o senador faz oposição ao governador Rafael Fonteles (PT), que tenta a reeleição, e lançou como adversário o ex-prefeito de Floriano, Joel Rodrigues (PP). Na capital, conta com o apoio do prefeito de Teresina, Silvio Mendes (União Brasil). Um eventual recuo do campo governista pode favorecer sua candidatura. Lideranças petistas avaliam que a desistência de Iasmin Dias (PT), filha do ministro Wellington Dias, da pré-candidatura a suplente ao Senado, fortalece Ciro Nogueira. O nome de Iasmin era visto como o principal contraponto para evitar que lideranças governistas votassem no senador. João de Deus, ex-presidente do PT no estado, contesta essa leitura e afirma que o ministro Wellington Dias declarou apoio à candidatura de Júlio César (PSD), com a ex-vereadora Rosário Bezerra (PT) como primeira suplente.
Veículos de esquerda enfatizaram o ângulo da articulação política como blindagem: para essa cobertura, a mobilização de prefeitos e da estrutura partidária por uma liderança investigada expõe a porosidade entre poder econômico e mandato parlamentar, e a negativa do senador seguiria o roteiro de deslegitimar a apuração. Já veículos de direita destacaram a presunção de inocência reivindicada por Ciro Nogueira, o trabalho de bases e a capilaridade construída no Piauí, lendo o apoio de cerca de 200 prefeitos, de vários partidos, como reconhecimento à sua articulação. Esse mesmo dado factual aparece em ambas as coberturas: o PP elegeu 34 prefeitos nos 224 municípios do estado, e o senador tem buscado evitar atrelar sua imagem à dos bolsonaristas. O PL, de Flávio Bolsonaro, lançou candidatura própria ao governo com o jornalista Toni Rodrigues, e PP e PL caminham em palanques diferentes, mesmo na oposição comum ao PT.
O que ainda não se sabe é o desfecho da investigação da PF: as reportagens não detalham as provas reunidas, o estágio processual do caso nem se haverá denúncia formal. Também permanece em aberto como a disputa entre os palanques de oposição e a articulação do PT em torno de Júlio César afetará, na prática, as chances de reeleição de Ciro Nogueira.