O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos, intensificou a agenda de inaugurações de obras nesta semana, a última em que pré-candidatos que ocupam cargos públicos podem realizar esse tipo de evento antes da restrição imposta pela legislação eleitoral. Segundo as reportagens, o governador chegou a cumprir até quatro compromissos externos por dia, algo incomum ao longo do mandato, incluindo entregas parciais e eventos noturnos.
Entre as entregas estão a estação Washington Luís, da Linha 17 (Ouro) do metrô, que já opera parcialmente, uma nova sede do Batalhão de Ações Especiais de Polícia no Bom Retiro, a entrega de 200 apartamentos na Mooca, conjuntos habitacionais em São Bernardo do Campo e a Praça do Triunfo, construída no local onde ficava a antiga Cracolândia. O ponto central da semana é a antecipação de seis das oito estações da nova Linha Laranja do metrô: a inauguração estava prevista para outubro, mas foi acelerada após acerto com a construtora Acciona para caber antes do prazo eleitoral.
A cobertura de centro, feita pela Agência O Globo e replicada por outros veículos, relatou de forma factual que nem todos os equipamentos foram entregues plenamente finalizados. Uma verificação de campo constatou que as vias marginais da Rodovia Castello Branco, em Barueri, ainda apresentavam pendências, com acesso a passarelas em obras, placas de concreto não instaladas e maquinário trabalhando no local. A mesma apuração registrou que, uma semana antes, algumas paradas da Linha Laranja careciam de piso e iluminação, mas ficaram prontas na véspera da inauguração.
É nesse ponto que os enquadramentos divergem. Veículos e leituras de esquerda tendem a enfatizar que a corrida de inaugurações transforma serviços públicos essenciais em vitrine de campanha à reeleição, com a população recebendo equipamentos incompletos em função do calendário eleitoral, e destacam a dobradinha com o prefeito Ricardo Nunes, do MDB, concentrada em bairros periféricos para ampliar votos. Já veículos de direita, como o InfoMoney que republicou a apuração, enfatizam a entrega concreta de obras estruturantes prometidas há décadas e a coordenação eficiente entre governo estadual e prefeitura, ainda que mantendo o mesmo relato factual sobre as pendências.
A cobertura de centro reproduziu na íntegra a resposta da gestão estadual, que afirma que as agendas refletem o cronograma de execução das obras, que cada entrega ocorre tão logo esteja concluída e apta a funcionar, e que todas as ações são realizadas em estrita observância da legislação eleitoral. O governo também sustenta que o conjunto habitacional citado está finalizado e que o Estádio Ícaro de Castro Mello será entregue plenamente apto.
O que ainda não se sabe é se a antecipação das entregas às vésperas do prazo eleitoral pode ser questionada juridicamente, já que as reportagens não trazem manifestação de especialistas em direito eleitoral, de órgãos de controle ou da oposição paulista. Também permanece em aberto quando as estações e trechos ainda pendentes serão de fato concluídos, uma vez que parte das obras ficou para o segundo semestre.