Novas pesquisas divulgadas no início de julho de 2026 desenham o cenário das disputas por governos estaduais nas eleições deste ano. No Rio de Janeiro, o instituto Paraná Pesquisas aponta o ex-prefeito Eduardo Paes, do PSD, como amplo favorito ao Palácio Guanabara. Em Alagoas, o levantamento do Real Time Big Data mostra um quadro completamente diferente: empate técnico entre os dois principais pré-candidatos.
No caso fluminense, Paes aparece com mais de 50% das intenções de voto nos dois cenários de primeiro turno testados, o que representaria vitória sem necessidade de segundo turno. No primeiro cenário, ele marca 54,2%, seguido de Douglas Ruas, do PL, com 14,6%. Num eventual segundo turno contra Ruas, Paes venceria por 62,1% a 23,9%. A pesquisa ouviu 1.600 eleitores em 60 municípios entre 29 de junho e 1º de julho, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e registro RJ-04259/2026 no Tribunal Superior Eleitoral.
Em Alagoas, o retrato é de disputa aberta. O Real Time Big Data registrou empate técnico entre o ex-prefeito de Maceió JHC, do PSDB, e o senador e ex-governador Renan Filho, do MDB, ambos com 46% das intenções de voto. Como a margem de erro é de dois pontos, o resultado caracteriza empate. A pesquisa entrevistou 1.600 eleitores alagoanos entre 29 e 30 de junho, com registro AL-02519/2026.
A cobertura de centro relatou os números de forma factual, detalhando ficha técnica, cenários e o histórico de Eduardo Paes, que soma mais de 30 anos de vida pública, quatro mandatos como prefeito do Rio e duas derrotas anteriores na disputa pelo governo estadual, em 2006 e 2018. Para concorrer em 2026, Paes renunciou à prefeitura em 20 de março, e sua candidatura será oficializada em convenção partidária prevista para agosto.
Veículos de esquerda enfatizaram a leitura política do favoritismo de Paes, enquadrando o pleito de 2026 como um ponto de inflexão democrático e caracterizando o adversário como 'o bolsonarista Douglas Ruas'. Nessa cobertura, a folga de Paes é lida como oportunidade de conter o avanço da extrema-direita nos estados, e reportagens destacam que ele é preferido tanto por lulistas quanto por parte do eleitorado bolsonarista.
Uma leitura de direita, por outro lado, tende a lembrar que Paes é um político de longa trajetória e máquina consolidada, com trânsito junto ao governo Lula, ponto de atenção para eleitores conservadores preocupados com alinhamento ao campo governista. Nesse ângulo, o segundo lugar de Douglas Ruas sinaliza a tentativa da direita de consolidar o eleitorado bolsonarista, ainda que nomes como Wilson Witzel apareçam com percentuais baixos, indicando fragmentação.
O que ainda não se sabe: as pesquisas retratam um momento anterior às convenções e ao início oficial das campanhas, quando as candidaturas ainda não estão formalizadas. Os levantamentos não detalham quem contratou as pesquisas, e em Alagoas há registro de disputas judiciais em torno da divulgação de sondagens, o que pode afetar a leitura do quadro nas próximas semanas.