O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República em 2026, avalia o nome da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, hoje filiada ao Republicanos, como possível candidata a vice em sua chapa. A movimentação, revelada em primeira mão pela repórter Thaísa Oliveira, da Folha de S.Paulo, ocorre em meio a uma possível coligação entre o PL e o Republicanos, que ainda não está formalizada.
A cobertura de centro relatou que a avaliação de Daniella surge diante do que aliados descrevem como falta de opções. A definição do vice arrasta-se há meses, sobretudo pela ausência de apoio de outros partidos. Pesquisas internas encomendadas pelo PL indicam que os nomes testados não trazem votos ao senador. Daniella foi uma das principais auxiliares do ex-ministro da Economia Paulo Guedes e presidiu a Caixa a partir de julho de 2022, após a saída de Pedro Guimarães. Ela se filiou ao Republicanos em abril, sem avisar a direção nacional, o que gerou incômodo entre correligionários mais antigos do partido, presidido pelo deputado Marcos Pereira.
Os três lados convergem em pontos centrais. A chapa de Flávio depende de uma aliança PL-Republicanos ainda não fechada. A preferência por uma vice mulher busca reduzir a rejeição no eleitorado feminino, e Daniella ficou responsável pelo eixo do programa de governo voltado às eleitoras, batizado de 'Brasil Por Elas', a ser apresentado no dia 15. Outros nomes chegaram a ser sondados, como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que recusou, e as deputadas Simone Marquetto (PP-SP), Clarissa Tércio (PP-PE), Júlia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF).
A cobertura diverge no enquadramento. Veículos de direita destacaram as credenciais técnicas de Daniella, apresentada como braço-direito de Paulo Guedes na agenda de responsabilidade fiscal, e frisaram que a aliança tende a fortalecer a oposição nos maiores colégios eleitorais, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Nessa leitura, a aposta em uma gestora com trânsito no setor produtivo amplia a competitividade da chapa. Já veículos de esquerda e a cobertura de centro enfatizaram o desgaste da pré-candidatura: a relação exposta entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, e o atrito público com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que afirmou ter sido maltratada e humilhada pelo enteado. Também ganhou relevo o histórico de Daniella na Caixa, quando conduziu o empréstimo consignado a beneficiários do Bolsa Família às vésperas das eleições de 2022, linha de crédito suspensa no início do governo Lula com inadimplência que chegava a 80%.
O que ainda não se sabe é se a coligação PL-Republicanos será de fato firmada. Integrantes do Republicanos dizem que não houve conversa formal sobre a Vice-Presidência e que a composição depende de outros acertos, como o apoio do PL ao governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta. A cúpula do partido avalia adiar ao máximo qualquer decisão e não descarta a neutralidade, o que liberaria os diretórios estaduais. Também não está definido se Daniella será mesmo a escolhida ou se ocupará outra função caso Flávio seja eleito.