A pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em 2 de julho de 2026 colocou lado a lado dois episódios que, segundo o eleitorado, podem prejudicar as duas principais pré-candidaturas à Presidência em 2026: o desentendimento público entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, no campo da direita, e o envolvimento do senador Jaques Wagner no caso das fraudes bilionárias do Banco Master, no campo governista. O levantamento ouviu 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho, tem margem de erro de um ponto percentual e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04582/2026.
No eixo bolsonarista, 37,8% dos eleitores avaliam que o vídeo em que Michelle diz ter sido humilhada por Flávio enfraquece muito a candidatura do senador à Presidência, e outros 26,3% acham que enfraquece um pouco. Em sentido contrário, apenas 7,1% dizem que o episódio fortalece muito a candidatura. Entre os que assistiram à gravação, 38,3% concordam mais com a posição de Michelle e 20,6% ficam ao lado de Flávio. Ainda assim, entre os eleitores que votaram em Jair Bolsonaro em 2022, 81,9% preferem que o senador seja o candidato do bolsonarismo, contra 14,7% que apostam na ex-primeira-dama. A pesquisa aponta Flávio como o nome mais forte para suceder Bolsonaro, com 43,2%, seguido por Nikolas Ferreira, com 18,4%.
No eixo governista, 32,4% dos eleitores que acompanharam o caso avaliam que o episódio envolvendo Jaques Wagner pode prejudicar muito a reeleição de Lula, enquanto 36,3% dizem que não prejudica. Entre os que conhecem a operação, 74,3% acreditam que Wagner recebeu vantagens indevidas do Banco Master enquanto era líder do governo no Senado, e 39,6% afirmam que a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em 18 de junho, piora muito a imagem do governo.
A cobertura de centro, representada por veículos que reproduziram o material da Agência Estado e do Estadão Conteúdo, tratou os dois eixos com tom factual, detalhando a ficha técnica e os cenários de sucessão na direita. Veículos de esquerda, como a Revista Fórum, enfatizaram que o impacto do caso Banco Master sobre Lula está longe de ser consensual: destacaram que 36,3% dos eleitores não veem prejuízo à reeleição e que 37,8% enxergam o envolvimento como problema exclusivamente pessoal de Wagner, além de ressaltar o racha aberto no bolsonarismo. Não houve, no conjunto coberto, um recorte explicitamente de veículos de direita; a leitura que enfatiza o desgaste do governo aparece nos próprios números da pesquisa, com a maioria acreditando que Wagner recebeu vantagens indevidas e que a operação piora a imagem do Planalto.
Os dois campos convergem em um ponto revelado pela pesquisa: a percepção sobre quem está mais implicado no esquema do Banco Master é quase empatada, com 37,6% apontando aliados de Lula e 36% apontando aliados de Bolsonaro. O que ainda não se sabe é como esses desgastes se traduzirão em intenção de voto ao longo da campanha, uma vez que a pesquisa mede percepção sobre episódios pontuais, e não cenários de primeiro ou segundo turno. Também permanece em aberto o desdobramento judicial da Operação Compliance Zero e se a crise entre Michelle e Flávio terá continuidade até a definição das candidaturas.