A pré-candidata ao Senado por São Paulo Simone Tebet (PSB) respondeu publicamente ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) depois de ele afirmar, em vídeo divulgado na terça-feira, 7 de julho, que ela e a também pré-candidata Marina Silva (Rede) "levaram cartão vermelho" em seus estados de origem e não seriam eleitas em São Paulo. Em entrevista à CNN Brasil no dia seguinte, Tebet rebateu: "Sou corintiana, não flamenguista, e pago imposto em São Paulo há dez anos. Não precisei dar endereço alheio para me candidatar."
A frase remete à própria trajetória eleitoral de Tarcísio, nascido no Rio de Janeiro, que transferiu seu domicílio eleitoral para São José dos Campos em 2022. Naquele ano, a mudança chegou a ser investigada pela Justiça Eleitoral sob suspeita de que o então candidato não morasse de fato no endereço declarado; o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo arquivou o processo a pedido do Ministério Público Eleitoral, que concluiu que Tarcísio nunca afirmara que residiria no imóvel.
Os fatos centrais são consensuais entre as coberturas: Tebet foi senadora por Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2023 e disputou a Presidência em 2022; Marina Silva foi senadora pelo Acre e transferiu o domicílio eleitoral para São Paulo naquele mesmo ano, quando se elegeu deputada federal. As duas migraram para o estado paulista a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PSB, partido do vice-governador Geraldo Alckmin, e apoiam a candidatura de Fernando Haddad ao governo estadual. Do outro lado, Guilherme Derrite e André do Prado, aliados citados por Tarcísio, disputam as duas vagas ao Senado pela base governista. Uma pesquisa Datafolha divulgada dois dias antes da fala de Tarcísio mostrou Marina com 18% das intenções de voto e Tebet com 16%, à frente da chapa governista, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A cobertura de centro relatou o episódio como um embate direto entre pré-candidatos, reproduzindo as falas de ambos os lados sem qualificar quem tem razão. Já análises mais à esquerda tendem a enquadrar a crítica de Tarcísio como uma tentativa de desviar o debate eleitoral de propostas concretas para um ataque à legitimidade regional das adversárias, notando que o próprio governador migrou de domicílio eleitoral em situação semelhante. Leituras mais à direita, por sua vez, validam o argumento de que representantes eleitos devem manter vínculo genuíno com o eleitorado que pretendem servir, questionando se o desempenho de Tebet e Marina nas pesquisas reflete enraizamento real em São Paulo ou apenas o momento político favorável ao campo de Lula e Haddad no estado.
O episódio ocorre num momento em que as pré-candidaturas ao Senado paulista ainda não foram oficializadas junto à Justiça Eleitoral, e novas pesquisas devem ser divulgadas nas próximas semanas. Não está claro se Tarcísio ou aliados pretendem judicializar a disputa sobre o domicílio eleitoral das duas concorrentes, nem como o eleitorado paulista reagirá à disputa pessoal entre os pré-candidatos ao longo da campanha.